Viajar sozinha: conhecer o mundo e a si mesma

Sete mulheres, cada uma viajando – sozinha – por um canto diferente do mundo. Essa é a premissa do livro “Bravas Viajantes – histórias de sete mulheres se aventurando sozinhas por sete cantos do mundo”, que será lançado no próximo dia 8 de março. 

 

Cada vez mais se fala de empoderamento feminino, desigualdades de gênero e movimentos feministas – que bom! As mulheres, no Brasil e no mundo, estão mostrando que não há limites do que elas podem fazer e até onde elas podem ir. Viajar sozinha, por exemplo, muitas vezes é visto com preconceitos ou descabidas preocupações – e essas 7 bravas viajantes provam que isso tem que mudar. Separamos alguns trechos do livro para mostrar um pouquinho do que elas relatam no livro e de como suas viagens exemplificam que viajar sozinha é conhecer o mundo e a si mesma.

 

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Uma viajante na Chapada Diamantina – Samantha Chuva

 

 

“Foi ali, no topo do mundo, carregando aquela mochila e sendo castigada pelo sol do meio-dia que percebi que havia sido capaz de fazer aquela travessia. Capaz de fazer qualquer coisa. Que eu era uma pessoa completa, inteira e suficiente para mim mesma.

 

Ter pessoas na nossa vida é uma escolha, não uma necessidade. E compreender isso é como tirar um peso gigante dos ombros, talvez por isso minha mochila parecesse tão mais leve. Estar sozinha não significa estar em solidão. Significa estar consigo mesma e isso preenche um espaço muito maior do que muitas viagens acompanhadas. É se descobrir em cada escolha e decisão. É se permitir ser a mais verdadeira “você” que existe”.

 

Uma viajante na Patagônia – Gabi Raposo

 

 

“De repente, ouvi um barulho. Imagine o barulho mais alto. Agora dobre o volume desse som. Foi um estrondo. Eu me abaixei num reflexo, achando que podia ser algo perigoso. Ao olhar para a frente, um pedaço enorme de gelo havia se desprendido da geleira, caindo no lago, formando uma onda que até molhou alguns turistas que estavam mais próximos da beirada. Foi uma das cenas mais bonitas da minha vida. Procurei alguém, por hábito de ter sempre alguém por perto, para comentar o quão incrível era o que eu tinha visto. Mas estava sozinha, mesmo que cercada de desconhecidos. E tudo bem. Aquela lembrança é minha. Só minha. Como era bom estar sozinha e saber que eu tinha algo tão incrível e só meu”.

 

Uma viajante (e seu cão) em Nova York – Danieli Haloten

 

 

“No tumulto de Nova York, difícil era a hora de o cachorro fazer as necessidades. Eu andava com Higgans até ele se aliviar. Depois, como todo bom dono, eu mesma recolhia as fezes. Mas ainda tinha um pouco de dificuldade para encontrá-las e as apanhar. Enquanto procurava com o saquinho na mão, em vez de me ajudarem, as pessoas passavam xingando:

 

– Porca!

– Você tem que limpar isso!

– É o que eu estou tentando fazer! Alguém pode me dizer onde está?

 

Ninguém respondia. Quem passava continuava xingando, até eu finalmente conseguir”.

 

Uma viajante pelos sofás da Europa – Louise Palma

 

 

“Alan deu a partida e, assim que pegamos a autoestrada, a poucos quilômetros dali, comecei a entrar em pânico porque me dei conta de que estava presa em um carro pelas próximas quatro horas com três homens que se comunicavam em um idioma o qual eu não entendia uma palavra sequer. Respirei fundo tentando não pirar e tirei o computador da bolsa, na tentativa de ler qualquer coisa, mas era impossível me concentrar. Quando percebi, estava quase redigindo o meu próprio testamento porque eu tinha certeza de que dessa viagem, infelizmente, eu não passaria. […]

 

Nesse plot twist da vida real, mais emocionante do que qualquer reviravolta de novela mexicana, os inte­grantes da quadrilha criada pela minha mente se trans­formaram em anfitriões de um couchsurfing improvisa­do. Ao dizer que sim, eu quebrei minha própria regra de só me hospedar em casas de mulheres quando viajasse sozinha […]. Aceitar o convite deles foi uma atitude arriscada sob o ponto de vista racional, por outro lado, eu estava seguindo o meu sexto sentido de maneira muito verdadeira, mesmo que isso significasse contar com a sorte de principiante”.

 

Uma viajante no Sudeste Asiático – Gabriella Morena

 

 

“No meu último dia na cidade, tive oportunidade de visitar algumas vilas aos arredores de Sapa. Numa delas, que ficava em um dos muitos e bonitos terraços de plantação de arroz, conheci uma senhora que me convidou para entrar em sua casa. O lugar tinha um grande cômodo, um pé-direito alto e era dividido em áreas pelos objetos que caracterizavam esses espaços: num canto um colchão com algumas caixas, em outro, utensílios de cozinha com um pequeno fogão a lenha e, em uma das paredes, algumas fotos. […]

 

Ao me mostrar a parede com as fotos, aquela senhora me contou que foram tiradas no casamento de sua filha, celebrado uns anos atrás. Ela se entristecia ao me contar que a filha optou por sair da vila e morar na cidade. Para a senhora, isso a fazia romper com as tradições da etnia à qual pertencia e fora criada. […]

 

Fiquei comovida com o sofrimento dessa senhora ao falar das fotos e em como, para ela, não havia outra forma de se sentir próxima da filha já que ela morava num centro urbano e deixara as tradições. Para o mundo dela, viver outros mundos representava rompimento, mesmo que as fotos ainda estivessem ali”.

 

Uma viajante na Austrália – Priscilla Cassioli de Moraes

 

 

“Além das aventuras com o garotinho, a convivência com essa família me fez refletir não somente sobre a minha própria família, mas também sobre questões mais profundas e pessoais, como a ideia de não ter filhos. Isso porque estar inserida em um ambiente familiar que não o meu me fez perceber com mais clareza as dificuldades em se equilibrar a vida familiar com a escolha profissional, os sonhos, os anseios e as expectativas diversas, inerentes a qualquer pessoa, como indivíduo. E, no meu caso, me dei conta de que ainda estou engatinhando na trajetória do autoconhecimento e da realização de alguns objetivos pessoais, o que, para mim, é incompatível com a magnitude da maternidade, ao menos no atual estágio de vida em que me encontro.

 

Sabemos que, ainda hoje, as mulheres, muitas vezes, são pressionadas, quase obrigadas pela sociedade a ter filhos, como se o seu papel não estivesse “completo” a menos que contraiam matrimônio e procriem. Aquelas que optam por não seguir esse script ditado pela maioria são logo taxadas de desajustadas ou até mesmo de egoístas. Compartilho do entendimento de que a maternidade deve ser uma escolha bem pensada e acredito, firmemente, que nem toda mulher “nasceu para ser mãe” – e que não há nenhum problema nisso”.

 

Uma viajante na África – Tamy Rosele Penz

 

 

“Até que, em uma das noites, entrei na minha tenda e encontrei lá um lagarto. Posso dizer que não tenho medo desse tipo de bichinho (baratas não entram nessa categoria). Mas daí dividir a tenda com um lagarto de um tamanho modesto (pensa em mais ou menos o tamanho de um chinelo Havaianas) já era forçar um pouco a barra. Chamei o Bindaas pra me ajudar, e ele facilmente conseguiu espantar o lagarto para fora da tenda. Parecia que tudo estava resolvido, até eu entrar na minha tenda na noite seguinte e encontrar meu amigo lagarto lá. Concluí que, na realidade, ele é que era o morador, e eu é que estava invadindo o espaço dele (na verdade, estamos o tempo todo, né). Dessa vez, o Bindaas não estava lá para me socorrer, o resto da casa já estava dormindo e eu não tive a habilidade de despejar o animal do recinto. Então só restava me conformar. Fiz força e mentalizei que aquilo ali não era um lagarto ameaçador, mas só uma lagartixa um pouco gorda. Apaguei a luz meio tensa, mas, cansada, consegui dormir. […]

 

Seguindo o hábito de mostrar meu carinho e agradecimento àqueles que fizeram da minha viagem uma experiência melhor, no dia da despedida, dei ao Bindaas uma camiseta do Brasil. A vó, reivindicando atenção por ter feito tantas omeletes deliciosas para mim, logo pegou o presente do Bindaas e disse que era dela! Eu achei justo, e ele só riu e me agradeceu muito a gentileza”.

 


 

Lançamentos e eventos do livro Bravas Viajantes:

 

São Paulo

Lançamento: 8/3, no Baderna Bar (Pinheiros), às 19h

Palestra e bate-papo: 9/3, na Livraria da Vila (Vila Madalena), às 19h

 

Rio de Janeiro

Lançamento: 12/3, no Espaço Oito e Meio (Flamengo), às 19h

Palestra e bate-papo: 13/3, na Livraria da Travessa (Botafogo), às 19h

 

Porto Alegre

Lançamento e palestra: 14/3, na Livraria Cultura, às 19h30

 

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