Um minicruzeiro centenário pelo rio Danúbio

Foto: Daniel Carnielli

 

Por Daniel Carnielli

 

“SCHUUUUUUN” “SCHUUUUUUN”… respirando profundamente, logo ali, está Schönbrunn, o navio mais antigo da Áustria. O imponente veterano, desde seu “nascimento” em 1912, navega nas águas de um dos mais importantes rios da Europa, o Danúbio.

 

Seu “suspiro”, de quem está pronto para partir e só esperando que os mortais embarquem para que, dentro de sua protegida casca, possam ser apresentados a este belíssimo rio, nos relembra dos filmes antigos de meados do século 19, quando navios a vapor eram comuns.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

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A saída e o retorno são da “pequena grande cidade” de Linz, na Áustria. Pequena para os padrões brasileiros de cidades, mas, na Áustria, Linz, com seus aproximados 200 mil habitantes, é a terceira maior cidade do pais e capital do estado de Oberösterreich, ou Alta Áustria em português.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

Vale comentar também que Linz, desde 2009, é membra da UNESCO como capital da cultura europeia juntamente com a capital da Lituânia, Vilnius.

 

O minicruzeiro, organizado pela OGEG (uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é manter “viva” as máquinas que fizeram parte do passado austríaco), segue o rio em direção à cidade austríaca de Grein. Toda a tripulação é formada por voluntários da OGEG e em sua maioria, austríaca. Mas é claro que temos também a nossa grande representante brasileira, Katia, que, junto com seu marido austríaco Wolfgang, faz parte da equipe.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

A equipe da tripulação é de aproximadas 20 pessoas que possuem diversos papeis. Algumas das funções são bastante peculiares, como trabalhar na casa de máquinas. Cuidar deste motor que “respira” exige ao menos seis pessoas por turno.  

 

Foto: Daniel Carnielli

 

Há também a ponte, que, diferente dos navios atuais, não controla o motor. O capitão dá o comando para que a equipe da casa de máquinas execute. Frente, ré, força total etc. São ordens que serão executadas cegamente em um exemplo evidente de que trabalho em equipe só funciona quando há confiança.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

A viagem segue e vamos apreciando o prazer de viajar em um antigo navio a vapor, que embora não pareça, navega mais rápido do que muitos dos navios modernos. Há bordo temos os espaços abertos do convés, popa e corredores laterais. Há também dois restaurantes panorâmicos, onde o almoço é servido com selecionadas receitas tradicionais, uma cafeteria e inclusive cerveja gelada disponível. Repare o adjetivo gelado: é opcional quando se trata de cervejas por aqui, visto que, na Áustria, não é estranho tomar cerveja na temperatura ambiente.

 

Na parada em Grein, temos aproximadamente uma hora para conhecer o castelo e passear pela região. Parece pouco, mas é tempo suficiente.

 

Grein (se pronuncia “Grain”) é uma pequena cidade com cerca de 2 mil habitantes, porém com tradicionais restaurantes e outros poucos comércios que mantém neste aconchegante vilarejo “a cara” da Áustria.

 

Foto: Daniel Carnielli

Foto: Daniel Carnielli

 

Há também um teatro com mais de 225 anos que ainda está em atividade em um edifício de 1468. A grande atração da cidade, porém, é o castelo Greinburg. Construído no final do século 15, este conservado castelo ainda serve de residência para seus herdeiros e a visitação é permitida ao custo de 6 euros.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

De Greinburg é possível ter uma visão ampla sobre a cidade de Grein e sobre o vale verde que costeia o Rio Danúbio. A belíssima paisagem remete a tempos longínquos. De fato, pouco parece ter mudado por aqui ao longo dos anos.

 

Para nós brasileiros, é quase impossível não notar a tranquilidade e segurança. Bicicletas encostadas a beira dos estabelecimentos, veículos abertos estacionados. A segurança desta região parece um sonho que não vemos mais no Brasil.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

Grein também é um irresistível ponto de parada para os ciclistas que percorrem a ciclovia a margem do rio Danúbio. Há, nesta margem convidativos, bares, sorveteria e restaurantes somente esperando para serem visitados.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

Conhecida como a mais bela ciclovia da Europa, a ciclovia que vemos em Grein começa na cidade alemã de Donaueschingen, na Floresta Negra, e percorre dez países até a baia do Mar Negro. São 2875 quilômetros divididos entre Alemanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Bulgária, Moldávia, Ucrânia e Romênia sempre costeando o Rio Danúbio. Neste trajeto passa por cidades muito interessantes como Munique, Viena e Budapeste.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

No regresso ao navio, desta vez teremos mais tripulantes. Os ciclistas que vieram de Linz voltarão conosco, na subida do rio.

 

Todos a bordo, novos suspiros deste forte “ser” que se prepara para a subida contra a correnteza e então vamos embora. Não há como não notar a disposição que esta embarcação tem mesmo contra a correnteza. Parece que o fôlego do Schönbrunn é incansável. O comandante ordena força total e, a toda força, ele segue incansável.

 

Às margens do rio ainda vemos famílias, crianças, cachorros e os pescadores de final de semana, que costumam acampar e se divertir nas águas calmas e banháveis do rio Danúbio e afluentes.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

O entardecer no rio é belíssimo. Hoje o pôr do sol teve tom acinzentado e, à medida que nos aproximamos da capital estadual, foi como voltar a “civilização”, saindo de vales verdes para adentrar a uma zona industrial até o porto turístico de Linz.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

A eficiência e disposição da tripulação é tamanha, que esquecemos que são todos voluntários ali, mas não podemos nos esquecermos de deixar uma boa gorjeta na caixinha. Estas gorjetas são somadas ao longo do ano e dividida entre todos no fim da temporada anual.

 

Foto: Daniel Carnielli

 

Ancorado e já na saída do navio, a tripulação nos agradece ao estilo hospitaleiro por nossa presença e nós podemos retribuir pelo zelo durante este dia inesquecível a bordo deste maravilhoso navio em uma paisagem tão incrivelmente preservada. Danke.

 

Para viver esta experiência:

 

Programe-se para viajar para Áustria no verão europeu. No site da OGEG você encontra a agenda e preços. Não é necessário nenhum documento especial para viajar no Schonbrunn.

 

 

Todas as fotos são de Daniel Carnielli e têm os direitos reservados.