Um dia em Liverpool, a cidade dos Beatles

Liverpool e seu submarino amarelo convidando você para uma viagem | Foto por Cristine Severo

Liverpool e seu submarino amarelo convidando você para uma viagem | Foto por Cristine Severo

Por Cristine Severo

 

Se você estiver em Londres e quiser visitar outras cidades na Inglaterra, é possível contratar uma agência para fazer um day tour por Cambridge, Oxford, Stonehenge ou Bath. Muitas agências buscam a pessoa no hotel de manhã e voltam à noite. Mas também dá para fazer tudo sozinho. Foi o que eu fiz para ver Liverpool.

 

Como não sabia se iria voltar um dia à Inglaterra – na verdade, quem viaja sozinho nunca sabe se um dia vai voltar para o lugar que visita ou para casa –, reservei um dia só para Liverpool. Já tinha pago com uma agência de viagens a hospedagem em Londres, então eu tinha que achar um jeito de ir até a cidade dos Beatles e voltar no mesmo dia, sem me hospedar lá. Para esses passeios, é muito importante levar uma bolsa menor além da sua mala, mesmo em uma viagem de 24h.

 

Fiz um roteiro compacto para tentar aproveitar o máximo possível da cidade. Antes de montar um roteiro, sugiro que o viajante esteja ciente de três coisas:

 

  • O que ver ou o que gosta de fazer: isto é, se você não gosta de viajar de trem, não compre a passagem; se não gosta de caminhar, não programe um tour a pé… você vai se chatear e acabar não curtindo a viagem;
  • Quanto gastar: é possível comprar boa parte das entradas das atrações e das passagens pela internet. Além de evitar filas e não correr o risco de não conseguir entrar em algum lugar, saber o quanto vai ser usado no cartão de crédito internacional é fundamental para programar o quanto vai poder gastar enquanto estiver lá.
  • Suas prioridades: se você vai para Liverpool só pelos Beatles, descarte o tour a pé. Eles falam de Beatles, sim, mas da parte histórica também. É melhor ir direto para as atrações na The Beatles Story.

 

Se você já sabe essas três coisas, pule uma casa e monte seu roteiro conforme seu gosto. No meu caso, dividi o dia em três partes (manhã, tarde e noite) e comecei contando desde as horas no trem da manhã.

 

Albert Dock, um dos principais pontos turísticos da cidade | Foto por antoskabar

Albert Dock, um dos principais pontos turísticos da cidade | Foto por antoskabar

 

Manhã

 

Consegui comprar a passagem pela internet, mas a mais barata que achei foi pela Virgin Trains, que saía da estação London Euston até Lime Street em Liverpool: 39 libras. O único problema é que saía às 5h da manhã com uma parada para pegar outro trem em Crewe, chegando em Liverpool às 8h45min.

 

A volta também seria longa: das 19h30 até 22h30 nas mesmas estações. Comprei mesmo assim e, em Londres, mesmo de madrugada, peguei um ônibus até a estação e foi tranquilo. Um dia antes de viajar, peguei os tickets em uma máquina na própria estação e, no meio da viagem, passou um supervisor para assinar. Na compra da passagem, é possível escolher um lugar com mesa e tomada – uma necessidade para quem leva celular.

 

Na estação, procure observar os horários, pois são rigorosos e é por eles que você deve se guiar. No dia, quase peguei o trem que iria para Glasgow, porque no itinerário passaria por Liverpool. Mesmo os assentos sendo marcados, ninguém parecia respeitar esta regra.

 

Levei um mapa impresso para Liverpool, mas quase não foi necessário. O caminho da estação até Albert Dock, o local onde ficam as principais atrações, é bem fácil. E, como se não bastasse, o que não faltava era placa dizendo por onde seguir.

 

Trajeto a ser percorrido da estação de trem até Albert Dock

Trajeto a ser percorrido da estação de trem até Albert Dock

 

Aproveitei o resto da manhã para ir direto para a Beatles Story em Pier Head, mas às 9h ainda estava fechada. Então, fui para a loja deles em Albert Dock, cuja entrada também já tinha comprado pela internet. No site, é possível escolher quais atrações você quer ver, o preço, o endereço, mapas, etc.

 

Marquei um walking tour com a empresa SANDEMANs NEW Liverpool. Já tinha feito um em Londres, mas o de Liverpool foi muito, muito melhor. A caminhada inicia em St. George’s Hall (perto da Prince Albert Statue e da estação de trem), às 11h, e vai até às 14h. O tour é gratuito, mas no final, costuma-se pagar o guia com gorjetas. Além da história dos Beatles, o guia nos apresenta e explica a cidade: desde o ponto em que fica o Cavern Club, o trágico incidente do estádio de Hillsborough – o maior acidente do futebol inglês que resultou na morte de 96 torcedores do Liverpool – e alguns locais tombados pela UNESCO.

 

Tarde

 

Das 14h às 16h, voltei para a Beatles Story, em Albert Dock, para ver um pouco mais dos Beatles, e também porque o próximo item partiria dali mesmo.  No final, acabei não passando por Pier Head, onde fica a outra parte da Beatles Story. Sim, já estava começando a ficar cansada, mas tudo valia a pena.

 

Entrada do Beatles Story | Foto por Hazel Nicholson

Entrada do Beatles Story | Foto por Hazel Nicholson

 

Depois, peguei o Magical Mistery Tour, trata-se de uma viagem de ônibus com dois guias que apresentam os pontos de Liverpool que inspiraram ou fizeram parte da história dos Beatles. Desde a barbearia de Penny Lane até a casa de Paul McCartney. O único ponto em que não quis descer foi para ver a casa em que cresceu George Harrison. O próprio guia alertou para evitarmos tirar foto das crianças brincando na rua, então achei melhor não descer. O tour termina no Cavern Club, onde deu para beber alguma coisa e ganhar um brinde (um cartão postal que eu já tinha!), antes de voltar para a estação.

 

Entrada do famoso Cavern Club | Foto por Clara Alim

Entrada do famoso Cavern Club | Foto por Clara Alim

 

Noite

 

A volta foi muito tranquila, novamente sentada em um lugar que não era meu. Mas com uma bela vantagem: carregando o celular. Uma das melhores aquisições de um viajante: adaptador de tomada!

 

Qual foi o balanço dessa viagem compactada?

 

Prós

 

– É mais barato, sim. Com uma agência, geralmente você vai de ônibus ou de van, com guias, e você paga o trecho de ida e volta e a entrada de algumas atrações, mas não todas. Além disso, para Liverpool, as agências mais baratas cobram o mesmo trecho para você ir de trem sozinho.

 

– Você mesmo cria o roteiro – e se no meio não estiver a fim de fazer alguma coisa, é só mudar, sem se preocupar.

 

Contras

 

– É preciso ter familiaridade com o inglês. Ok, o tour a pé também é feito em espanhol e sempre tem muito mais gente. Mas se você está na Inglaterra, por que não aproveitar a oportunidade e treinar um pouco seu inglês? Além disso, vai que você queira ir a um restaurante diferente ou queira achar o banheiro na estação de trem, ou se perca (o que acho um pouco difícil, devido ao grande número de placas indicando o caminho para os trechos mais turísticos).

 

– Um dia é pouco tempo para ver mais do que as principais atrações turísticas. No fim, só vi muitos museus de longe. Pelo menos, deixa uma boa sensação de querer voltar. Quem sabe…