Chile à la carte

Com o nosso ritmo frenético de viagem, tudo passa muito rápido. Assim foi nossa semana no Chile. Quase sem perceber…

Visitamos um novo museu em Santiago, o instigante Museo de la Memoria y los Derechos Humanos – foco no turbulento período da ditadura chilena.

Retornamos a Casa de Neruda em Valparaiso – e conheci a de Isla Negra (ok, ao menos a praia…).

Bisbilhotamos a maior piscina do mundo, em Algarrobo – situada não num resort, mas num condomínio fechado (que para conhecer, depois de três tentativas, tivemos de bancar Leticia, Felipe e eu uma família feliz ansiosa para fechar o contrato de seu novo apartamento).

Confermos uma praia de nudismo em Caleta Horcón (e sim, alguém da equipe bravamente aderiu como se deve a essa praia, aguardem o programa).

Nos hospedamos num hotel-muquifo em Papudo (onde fica mesmo Papudo???).

Encaramos um pequeno rali Dakar em Copiapó, onde também visitamos a fatídica mina, aquela dos mineiros soterrados e resgatados.

Copiapó é uma cidade então quase ignorada no Guia (assim como pelos turistas) que vai ganhar destaque na nova edição. Há 3 anos o célebre rali Paris-Dakar foi transferido, por questões de segurança, do norte da Africa para o sul da América do Sul – mais exatamente Argentina e Chile, incluindo a região do Atacama. Os arredores de Copiapó, em especial sua zona de dunas, que muito lembram o deserto do Saara, é um desses cenários onde os competidores da famosa corrida se aventuram sobre quatro rodas. E foi o que pudemos conferir com o simpático bonachão Ercio, nosso guia local. Talvez a Leticia não tenha curtido muito lavar seu cabelo com areia, nem o Felipe a sua câmera Mafalda, mas a versão light (ou quase light) do nosso passeio sobre as dunas nos deu uma ideia do que é o rali – mesmo com os quase atolamentos e o tenho-certeza-que-o-guia-se-perdeu-no-deserto fora do script.

A mina de San José foi uma das principais notícias do ano passado, quando 33 mineiros ficaram soterrados a 700 metros. Mineiros estes que já viraram celebridades (tentamos entrevistar algum deles, mas todos estão de férias patrocinadas em Orlando, onde desfilaram como herois, com capacetes a la orelhas de Mickey; a propósito, dizem que a mina será reproduzida num dos parques da Disney…). A mina de verdade, propriamente, a uns 30km da cidade, vale como curiosidade. Já ingressar nas suas escuras e obscuras galerias, nem pensar. Controle policial no local. Acredito que isso mudará no futuro, já que há um grande potencial turístico para este lugar, aliás, como para Copiapó de modo geral, que ainda é uma das pontas da bela estrada que passa pelo Paso San Francisco, onde se encontra o Ojos del Salado, o maior vulcão do mundo (6.893m), e a impressionante Laguna Verde (que é de cor azul cristalino), e vai à Argentina.

A outra ponta? Tinogasta, onde estamos no momento. Mas este povoado já é Argentina, outro país, outra história e outra viagem! Viagem aliás que precisamos prosseguir neste momento. Hora de acordar os companheiros e voltar à estrada. Prometo que boto fotos até o fim do fim de semana. E vamos lá!

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Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
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