Orgias

O dia de ontem teve uma particularidade: o roteiro de dois viajantes se cruzaram – e assim tivemos o encontro de Natalia e Gustavo, que somados a Letícia, Felipe e Zizo, todos juntos no mesmo hotel, terminaram a noite numa orgia.

Posso até dizer que a orgia começou no dia anterior – e esta orgia tem um nome: Cordilheira dos Andes. Poderia também se chamar Ruta 7, ao menos no cinematográfico trecho que vai de Mendoza à fronteira do Chile. Neste caminho, de menos de 200 quilômetros, se passa por uma orgia visual que hipnotizou todos os integrantes da expedicionária camionete de O Viajante.

caption id=”attachment_487″ align=”alignnone” width=”300″ caption=”Desvio da Ruta 7″][/caption]

Montanhas com picos de neve eterna, povoados empoeirados perdidos no tempo, morros de pedra com vista à cordilheira, pontes de bizarra construção natural, cemitério ornado por botas de montanhistas, estrada que se descortina entre montanhas coloridas. (tais locais, conforme constam no guia que levamos – um que tem menininha numa capa amarela – são conhecidos respectivamente por Aconcágua, Upslatta, Morro da Cruz, Puente del Inca, Cemitério del Andinista, Ruta 7).

caption id=”attachment_488″ align=”alignnone” width=”300″ caption=”Viajantes no sopé do Aconcágua”][/caption][

Foi um longo dia em que, fora a junkie food a la saco de batatas fritas, nos alimentamos basicamente de paisagens, até chegar nas proximidades de Santiago já na madrugada seguinte, quando pelas 2h da manhã comemos alguma porcaria de um posto de gasolina barato. Alma cheia, estômagos nem tanto – mas que seriam muito bem recompensados algumas horas depois.

Na capital chilena, com divisão de tarefas entre nossos dois travel-writers, fizemos o que denominamos roteiro urbano: caminhadas na cidade, visita a hotéis, restaurantes, casas de câmbio, museus, centros culturais, rodoviárias, praças, parques. E à noite, a orgia do dia: a orgia gastronômica nos oferecida por Carmen, Cristian e a dedicada equipe de cozinha do Ceasar Business de Santiago.

Diferente da orgia paisagística dia anterior, esta envolveu também o olfato e o palador. Foi uma inacreditável sequência de nove pratos, entre entrada, principal e sobremesa, além de vinhos (nacionais!) e pisco sour que se harmonizavam com perfeição ao banquete que nos era servido. (Gustavo, que soube meticulosamente conciliar a apreciação com o profissionalismo, mostra em seu post fotos das tentações preparadas pelos chefs do hotel).

Pisco: aquecimento para o banquete

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Ainda tenho dúvidas se gostei mais do coquetel de cebiche, do tapenade de salmón ou das costelas de cedro. Já o jantar ocupou seguramente o número 1 no ranking de jantares da viagem – e Peru, Bolívia, Paraguai e o restante de Chile e Argentina deverão se esforçar para conseguir usurpar essa posição ao longo dos próximos 40 dias! Ou que venham as próximas orgias!

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Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
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