Fragmentos da História

Após Amsterdam, nossa parada seguinte era Berlim. Se a bela cidade dos canais foi nosso primeiro destino para encontrar a viajante Angela, o motivo da capital alemã era a Roberta: deveria lhe passar instruções da atividade de travel-writer e dar os passes de trem para que ela percorresse a França e Suíça.

Com passe na mão, Roberta se mandou logo mais à noite, não sem antes almoçarmos juntos numa boa tratoria italiana pertencente a um turco. (Mas a cerveja era a alemã!)

Não precisa, no entanto, comer schnitzels e wurst e tomar uma bier pra se sentir na Alemanha (tudo bem que ajuda bastante). Na verdade, como qualquer grande país, este também revela enormes diferenças regionais, onde cada estado ou província apresenta suas próprias características culturais. Em Berlim, talvez como em nenhuma outra cidade da Europa, o que mais me chama a atenção é a História – seja um museu com lembranças da Segunda Guerra ou um pedaço do Muro exposto à céu aberto.

Aliás, essas suas duas passagens históricas me entretêm por horas. Se estivesse aqui como um turista a passeio, que não precisa conferir vários lugares, poderia passar um dia unicamente a ler todos os textos de uma Topografia do Terror ou um DDR Museum.

Se o primeiro citado revela fotos e textos relativos às atrocidades do Nazismo, o segundo, um museu novo que ainda não conhecia nem estava no guia, apresenta  imagens e objetos relativos à cultura da Alemanha Oriental, uma espécie de versão-exposição do criativo “Adeus Lênin”, um dos filmes alemães mais representativos do início deste século.  O tema “Segunda Guerra” e “Nazismo” é algo particularmente caro para mim, história viva. Já a  “Queda do Muro” não me soa mais como história: é algo do “meu tempo”.

Minha primeira vez na Europa, na descoberta dos 20 anos, foi no lendário 1989, o fatídico ano do descortinamento do mundo comunista. Acredito que todos com mais de 35 têm claramente na memória a imagem dos jovens alemães em cima daquele monstro de concreto quando finalmente domado e prestes a ser destruído. Vitor, nosso videomaker que me acompanha nesse inicio de viagem, ainda não acredita que tenho pedaços originais do Muro de minhas primeiras viagens. Certo, é bem provável que, dos tempos em que vivia com meus pais mas estava sempre viajando, minha mãe, numa dessas mudanças de casa, tenha jogado fora aquele “saquinho com pedregulhos empoeirados”… Mas eu juro que tinha!!!

Tudo bem. Sabiamente o Muro foi posto abaixo. E sabiamente parte dele permanece aqui. Basta vir a Berlim conferir. História para alguns. Lembrança para outros.

Foto: 7 Carimbos: isso é o que se ganhava no passaporte quando se ia da Alemanha Ocidental para a Oriental.  Confira em breve no meu facebook (zizo.asnis) o vídeo que fizemos de como isso rolava.

5 comentários para “Fragmentos da História”

  • nelson disse:

    Parabéns Zizo tua escrita está cada vez mais interessante e madura! Abs, brother, tati, yasmin e guga

  • Manuela disse:

    Zizo, fiquei curiosa! Quero ver o vídeo, mas não sou sua amiga :/ hehe põe o link do vídeo pra gnt poder ver!! Bjos

  • vitor disse:

    Duvido! Dez anos depois, percebeu que nnao tinha guardado a recordação histórica, pegou umas pedrinhas das esquinas de Porto Alegre, botou num saquinho e tá contando história. hehehehehehehehe

  • Sarita disse:

    Zizo, tenho lido teus ultimos textos deste início de tua maratona pela Europa e, como de costume, sinto emoção e alegria.Muitas passagens leio para o Julio que também sente o mesmo.
    Shaná Tová neste ano 5772.
    (Juro que não pus fora nenhum saquinho com pedrinhas do muro das Alemanhas, mas com certeza essas
    não queriam ser guardades).
    BEIJOS

Comente este post

Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
travel-writer z.
Apoio