Amsterdam, a única
Me diga: que outra cidade no planeta Terra tem canais, casas antigas geminadas, bondes e bicicletas em número maior do que carros, Van Gogh em fartura, Anne Frank viva na história, 5 gramas de drogas leves liberadas, mulheres seminuas numa vitrine, homens andando livremente de mãos dadas com outros homens e mulheres beijando publicamente outras mulheres? Certo, Amsterdam é única. Certo, todas as cidades são únicas, mas algumas são mais únicas do que outras.
A capital da Holanda (e não, não estou falando de Den Haag/Haia) foi o nosso ponto de chegada do Brasil. Aqui também começa o meu trabalho, entregando material e passando informações à Angela, a primeira travel-writer que encontramos na Europa. É divertido sair com os travel-writers. Não sei porque sempre tremem quando visitam um hotel comigo, eles claro conduzindo a entrevista com o recepcionista. Meu lado sádico quase se diverte com o nervosismo deles. Mas isso só dura uma meia dúzia de hotéis e um punhado de atrações: logo estão todos bem à vontade no ofício de travel-writer, atualizando tudo que encontram no caminho. Quer dizer, quase tudo. Angela nao havia confirmado uma informação que dávamos no guia: quanto custava a hora das tradicionais “profissionais da vitrine” de Amsterdam. Compreensível.
À noite, quando Angela já havia partido para o interior da Holanda, nosso videomaker Vitor e eu fomos na Red Light District, a famigerada zona com as moçoilas nas tais vitrines exercendo a mais antigas das profissões, que aqui paga imposto e é regulamentada. O dever me chamava. Procuramos uma doce menina que pudesse nos dar a informação necessária para atualizarmos a nova edição do Guia O Viajante. Sim, foi só por isso viu! Logo vimos uma garota, parecida com aquela sua colega de faculdade mais bonita, exibindo todos seus tributos, que não eram poucos. Porém ao deslize dos nossos olhos, ela desapareceu. Ainda desconfio que ela reparou na frustrada tentativa do Vitor de pegar a filmadora (o que não é bem visto por lá) – e que foi prontamente respondido por outra senhorita (esta com bem menos atributos e educação), com o dedo médio erguido.
Numa rua ao lado, outra garota. Ela sorri pra mim. Fui até sua porta, o que ela abriu entusiasmadamente. Ela gostou de mim! (mas desconfiei que minha mãe nao gostaria dela entao achei melhor nao lhe dar esperancas…). Ela pergunta de onde eu era e ao ouvir “Brasil”, retrucou com um sotaque meio carioca, meio moçambicano “goxtoso!!”. Puxa ela havia gostado mesmo de mim, hein – mas … Retribuo a pergunta e ela me surpreende: “Síria”. Deus, espero que seus conterrâneos não apareçam por aqui… Mas, foco, foco, preciso confirmar a informação para o Guia O Viajante. É por isto que estou aqui. Sim, é por isto que estou aqui!! Fifty euros, twenty minutos, esclarece a árabe pouco ortodoxa. Os detalhes do que se faz nesses 20 minutos não vem ao caso… Fomos embora (sim!!). Guia atualizado. Mas Amsterdam continua a mesma: única.




Tenho que admitir que achei seu blog excelente, pois seus posts são sempre muito bem escritos. Necessitava mesmo aprender mais sobre isso e você elaborou uma grande fonte de informações aqui. Persista com o maravilhoso trabalho na publicação desse blog!
Muito bom o texto!!! Amsterdam realmente é única!!
Estava ansiosa por fotos ! Que bom ! Vão postar uns videos também ?
seguindo aqui a turma na europa… e lembro-me quando passei pela red light com mate na mão e ouvi de uma das vitrines entreabertas: “hey gaucho, da um gole”… que friaaaaa, achei melhor fingir que falava no meu celular invisivel, com meu amigo ficticio, e sair de fininho, com minha erva ilex fumaçando… aproveitem ai
Muito bom, texto, Zizo! Ansiosa pelas informações! Espero utilizá-las ano que vem!
Beijos e boa aventura!