Bem-vindo a Publin, digo, Dublin – crônicas da Irlanda parte 2

Quando passávamos bem em frente à fábrica da Guiness, o motorista do ônibus esbraveja, com seu carregado sotaque irlandês: “Metade da população de Dublin vai tomar uma Guiness hoje!” E em seguida continua – “A outra metade vai tomar amanhã!”

Ele talvez pudesse complementar: e os turistas vão tomar hoje E amanhã. Isso é afinal o que há pra fazer em Dublin. Ir a um pub. E beber. Beber. Beber.

Mas beber faz parte de um ritual. Fosse simplesmente ingerir uma que outra, o cara ia no supermercado e comprava uma cerveja por 1 euro, ao invés de gastar 5 vezes mais por uma pint. Então, respeitemos o ritual: ir a um pub, encontrar os amigos – e, claro, com eles beber.

Pubs, porém, não são apenas um lugar de bebidas. Com a Betânia, já quase uma dublinense, fomos no final da manhã ao tradicional pub O´Neil para degustar o café da manhã irlandês: ovo frito, bacon frito, salsicha de porco, grão de feijão com ketchup, rodelas de tomate e, pra completar, black pudding, um suspeitíssimo chouriço de sangue (tudo por 6,90 euros, sem incluir a consulta ao gastro). Pubs são os melhores lugares para “apreciar” o Irish breakfast – tão saudável como o English breafkast. Mas confesso: faltou coragem pra encarar aquele prato. Deixei minha amiga ali e fui na padaria da esquina pegar dois mimosos croissants com um achocolatado. 

À tarde, foi à vez do pub South William, para conhecer a famosa feijoada do Adão. O lugar já é notório como Feijoadão, graças a seu cozinheiro brasileiro que oferece este típico prato aos sábados (7 euros, barato) e PFs com feijão, costela assada, picanha ou escondidinho (5 euros, muito barato) nos demais dias da semana. E tudo pode ser acompanhado de guaraná (2,70 euros, caro) e brigadeiro (1 euro, ok), pra brazuca nenhum chorar de saudades. Aqui havia uma banda tocando, o que poderia ser a deixa para eu falar de outra tradição irlandesa – a música ao vivo nos bares – mas melhor comentar isso no programa noturno, até porque o som neste reduto brasileiro, bem, não era exatamente irlandês, mas o popular “sertanejo universitário”. Vou omitir minha opinião sobre ouvir sertanejo universitário em Dublin…

E à noite, agora com minhas queridas viajantes Angela e Fabi, fomos a um… pub, muito bem! Este, talvez o mais famoso de todos, o Temple Bar, nome que igualmente denomina toda a região de pubs, bares e restaurantes da capital irlandesa. Agora sim, nada de café, nescau ou guaraná: Guiness na veia (5 euros)! E de quebra, uma trilha sonora com uma bandinha ao vivo tocando o típico som irlandês, aquela gostosa batida celta com sons oriundos de flauta, guitarra, acordeões e harpa. Estava na boa e velha Dublin! Cheguei ainda a experimentar uma outra cerveja irlandesa, que agora me falha o nome, avermelhada, algo entre a preta e a branca, mas não chegava aos pés da Guiness.

A Guiness. Ah, a Guiness…! Estava cerveja preta é um daqueles preparados que o cara tem que ser muito mestre pra formular – pois além de malte, água, lúpulo e levedura deve haver um grande segredo pra criar aquela cremosidade toda.  No dia seguinte, como parte do programa de atualização de nosso Guia Europa, fui visitar a fábrica da Guiness. E como parte do programa de atualização do nosso Guia Europa, tomei a devida degustação da pint que ofereciam (no seu bar do último andar, com uma excepcional vista de 360º). Tudo pelo trabalho!

Seria minha última noite em Dublin, e a despedida tinha que ser… num pub! O escolhido da vez foi o Quays, que oferecia exatamente o que eu procurava: uma banda de rock irlandês! Quem sabe não estaríamos escutando um futuro U2? Só não foi mais irlandês porque tocavam covers. Mas quem sem incomodar em ouvir Rolling Stones ou Ray Charles em Dublin que vá procurar o Michel Teló!

Pra não dizer que minha estadia em Dublin foi apenas uma pseudo-boemia devo informar que naquela tarde ainda fui ao regular Writers Museum (quem sabe eu seria inspirado por Oscar Wilde ou James Joyce?) – afinal o país tem toda essa tradição de grandes escritores.  Bacana. Lembro que também visitei os parques e prédios históricos que comentei na primeira parte deste post. Legal. Porém, realmente não imagino o que sobra da Irlanda, e em especial Dublin, sem pubs, sem cerveja, sem amigos. (Se algum souber, me avise – ainda tenho mais alguns meses antes de publicar nossa próxima edição Europa!). Sorte que os três vêm no mesmo pacote, mesmo para mais solitário dos viajantes que chega sozinho a um bar (e no segundo gole de sua pint fará seu melhor amigo irlandês!). Você não gosta de pubs, não gosta de beber nem de confraternizar com camaradas? Uhm… Tente o País de Gales.

 

5 comentários para “Bem-vindo a Publin, digo, Dublin – crônicas da Irlanda parte 2”

  • Gustavo disse:

    Ah queria aproveitar o espaço e agradecer por ter feito “O guia da Europa”. Foi muito útil enquanto morei em Dublin, era conhecido lá pelo pessoal como a “Bíblia da Europa” hehehe Consegui muitas informações importantes por todos os 16 países que passei, algumas desatualizadas é verdade, mas completamente compreensível pois ja tinha se passado algum tempo. Sempre estava com ele em qualquer lugar que eu fosse.

  • Gustavo disse:

    Provavelmente a cerveja que tu tomaste era a Smithwicks.
    A dica de Howth vale muito a pena também, pois é perto de Dublin e tem acesso fácil e rápido de trem pela estação central. Agora falando de Irlanda temos muitos passeios interessantes, tive a oportunidade de fazer duas viagens de carro pelo interior (uma delas pegando também Irlanda do Norte) e achei fantástico, as estradas e paisagens já valem a viagem, mas o que tu encontras no destino final é muito bonito também, toda a costa da Irlanda é uma surpresa. Os Cliffs of Mohrer são muito bonitos, penhascos gigantes na beira dos seus pés. Mas claro, isso requer mais tempo e dinheiro aos mochileiros de passagem por Dublin… O interior é legal também para quem gosta de praticar trekking, tem muitos passeios e trilhas interessantes.

  • Larissa Moraes disse:

    Zizo,

    Quando estava em Dublin, num pub, tomando uma Guinness, uma mulher se aproximou quando vi ela estava vasculhando minha bolsa.
    Descobri que isso eh muito comum por la… uma pena. Dai fica uma dica para os viajantes tomarem cuidado.

    Bj

  • Cristina Grams disse:

    Vale a pena ir para Wiclow, parece o céu.
    Galway, ver os CLiffs.

  • Eduardo Assunção disse:

    Quays foi meu primeiro contato com um pub irlandês, tomei uma Guinness servida por uma irlandesa que conhecia boa parte do Brasil, mais do que eu. Duas coisas perdidas de lá, Howth, uma caminha linda e longa pelos cliffs dos arredores, vale a pena pela vista, uns 20min de trem. Tem a cada do Bono e da Enya, em Kilkenny, também há uns 20min, mas agora ao norte. E também Galway, à oeste de Dublin, acho que umas 3h de ônibus. Cliffs lindos, e mais pubs.

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Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
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