Espiando as Olimpíadas – parte 2: o Estádio Olímpico

Circular pelo Parque Olímpico significa conhecer os poucos lugares acessíveis ao público, como o Centro Aquático. Grades e seguranças te impedem de ir muito além, especialmente ao Estádio Olímpico, o ponto central da Vila Olímpica. Contemplá-lo, apenas a uma certa distância.

Fui conhecer a sala de imprensa, situada atrás do centro náutico, e, ao sair, a curiosidade me levou a percorrer um caminho atrás das construções, atraído pelo Orbit –, o bizarro monumento e torre observação que lembra uma esdrúxula montanha-russa vertical – e, principalmente, pelo monumental Olympic Stadium. Como um braço de fumaça de desenho animado a me chamar, escutava o Estádio Olímpico a dizer, “venha, venha…”. E eu fui. E simplesmente nesse caminho meio alternativo não encontrei nenhum segurança ou grade totalmente fechada que quisesse realmente me impedir de seguir adiante. Claro que tremi ao pensar que algum policial poderia se jogar em cima de mim achando que eu fosse um antecipado terrorista, mas os ventos daquele dia nublado estavam realmente me empurrando adiante.

E assim, a espiada de frestas mais distante se tornou uma visão de 360 graus: eu estava dentro do Estádio Olímpico, palco principal e lugar de abertura e encerramento das Olimpíadas de 2012. Apesar da adrenalina, me pus a contemplar. Observei o campo, um gramado não muito grande no centro tudo; as pistas de saibro em volta, com algumas poças d’água; a cobertura, ainda esperando finalização; as cadeiras de fibra, às quais me vi obrigado a experimentar. Imaginei outras 79.999 pessoas sentadas ali, a lotar o estádio, todos bradando por seus atletas. Cenas de Olimpíadas antigas surgiam como um filme em preto e branco no meu despretensioso imaginário.

Mas eu não estava sozinho. Alguns homens trabalhavam em locais diferentes da arena. Na pista de atletismo, um cara uniformizado ensaiava uns passos de corrida. Senhoras e senhores, a prova do 200 metros é vencida por…  um operário paquistanês!

Me surpreendi com a quantidade de obras no local, não só no Estádio Olímpico, mas, principalmente, ao seu redor, em vários pontos da Vila Olímpica. Pensava – e creio que até havia sido anunciado – que já estava tudo pronto, e há algum tempo. Não estava. Não está. Aos pessimistas e agorentos de plantão, que profetizam as catástrofes dos futuros eventos esportivos no Brasil – Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas no Rio em 2016 – vejam isso: há menos de 100 dias das Olimpíadas em Londres, não está tudo pronto!

Mas fui embora seguro que estará tudo em ordem muito em breve. Tranquilo como os ingleses, que não parecem se preocupar muito com tais obras. Por uma razão bastante básica: não existe a opção de não estar tudo funcionando bem quando o dia chegar. Simples assim.

 


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Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
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