O Cinema

Freiras entrando no cinema, muitas freiras. Ok, em Londres tudo é possível. Opa, uma freira de barba. E agora, alguns caras vestidos de tiroleses e moças de camponesas… Quando você conhece o cinema Prince Charles, em Leicester Square, sabe que tudo fica ainda mais possível…

O Prince Charles já foi o cinema mais barato de Londres. Não é mais. Mas certamente é o mais irreverente. Entre uma sessão de Titanic e O Artista, você também encontra filmes de terror nível B e Z. E Casablanca. Pulp Fiction. Maratona com 5 dos melhores filmes do Scorsese. E uma sessão do Grease onde você vai com brilhantina no cabelo pronto para, no meio da película, se levantar e cantar Tell me more, tell me more!.

Foi exatamente este Grease que fui assistir há algumas semanas no Prince Charles – nas sessões chamadas sing-a-long-a –, preparado para imitar John Travolta, acompanhado de inúmeras espectadoras que usavam uma peruca loira ou rosa inspiradas em Olivia Newton-John. Legendas nas partes musicais tornavam o filme um grande karaokê, onde ninguém ficava indiferente ao clima retrô do final dos anos 50 deste filme do final dos 70. Impossível não bater o pé ou mexer a bunda enquanto o Bee Gees declama que Grease is the word e Conventionality belongs to yesterday !

Neste fim de semana, fui ainda mais longe, no tempo e na distância: Áustria fim dos anos 30 – acompanhar a história de uma noviça às voltas com um capitão e seus 7 filhotes: Sound of Music, talvez o mais cult dos sing-a-longs do Prince Charles. Pois se a Noviça Rebelde foi menos requebrante que o Grease (como dançar enquanto uma freira idosa canta Climb every mountain??) talvez tenha sido ainda mais interativo e divertido. Antes do filme começar, a plateia ganha um saquinho plástico com coisas que deve “utilizar” em algum momento do filme, como um convite para a festa de noivado do Capitão e ou uma florzinha branca, a Edelweiss, símbolo da Áustria.

Somos ainda instruídos de como interagir ao longo do filme: quando aparece Ralf (o jovem mensageiro, namoradinho da filha mais velha, que vira um nazistinha), todos devem grunhir; a Baronesa (noiva do capitão e antagonista da noviça), um “hissssss!”; os Nazistas, buuuuu; e por aí vai… E durante as canções, legendas de karaokê – até legendas em latim (latim-paraguaio, diga-se), numa sequência musical no convento.

Assim as mais 3 horas da Noviça Rebelde passam bem na boa: em alguns momentos todos cantam o Do-Re-Mi da Julie Andrews, em outros abanam um pedaço de cortina (que também estava no saquinho), imitam um cão raivoso, uma gata no cio, uma vaia aos nazistas – e até tudo ao mesmo tempo (há uma cena com Ralf, a Baronesa e os nazis que na sonoplastia da plateia se torna engraçadíssima). E as partes melosas da Maria que poderiam provocar um suicídio coletivo são compartilhadas por toda plateia mimosamente exclamando óóóóóóóóóóóó…

Ah sim, e o Prince Charles tem um bar onde é possível tomar uma cerveja antes – e durante – o filme. Certo, todas as freiras são iguais, mas as freiras de Londres são mais divertidas que as outras…

4 comentários para “O Cinema”

  • Eduardo Assunção disse:

    Nem tinha idéia disso, deve ser uma experiência maravilhosa. Mas já que o tópico é cinema, indico o Cineworld, para quem mora em Londres ou for ficar um ano (por causa do contrato). Você faz uma assinatura e assiste a todos os filmes que quiser, na sessão que quiser e quantas vezes quiser, é ilimitado mesmo, só paga pelo óculos em sessões 3D, e uma taxinha micro. O óculos só paga uma vez, se não perder… Isso tem em Dublin também, e lá custava €20, se não estou enganado.

  • José Jayme disse:

    Ja vou anotar essa dica na minha sessão “quando voltar a londres…”

  • Marco Túlio Fonseca disse:

    Muito Bom o texto, Eu adoro Julie Andrews, tenho uma cópia da “Noviça Rebelde” em casa, quando jovem tive o prazer de assistir no cinema, agora… curtir isso em Londres não tem preço!!!!

  • monica disse:

    Bacana esse texto, caro editor!!!
    Bjs

Comente este post

Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
travel-writer z.
Apoio