Como dirigir nas cidades peruanas em 1 lição

Névoa enfeita a paisagem

Dirigir no Peru é um fator novo para mim, que já tinha rodado por estradas uruguaias, argentinas e chilenas, mas não peruanas. Posso antecipar que muita atenção é um requisito básico.

Dã. Certo, muita atenção é requisito para dirigir em qualquer lugar. Mas aqui, nas rodovias peruanas, situadas acima de 2 ou 3 mil metros, estamos num cenário de montanhas, o que significam estradas de muitas, muitas curvas e pavimentação não raramente esburacada. Adicione-se paisagens arrebatadoras – picos nevados, vales verdejantes, povoados pitorescos, pôr-do-sol no Pacífico –, e ainda, pra tornar tudo mais emocionante, chuva, neblina e até neve. Para completar, noite.

(Para quem perguntar, como eu mesmo indagaria, porque dirigir à noite, digo que não há como escapar do luar, já que percursos de “apenas” 500 km exigem – devido as tais curvas, buracos, chuva, etc – até 10 ou 12 horas de estrada).

Mas as mães podem ficar tranquilas: sou sim um motorista bastante atento e desperto. E digo o mesmo da Letícia, minha suplente nas horas que não escondo o bocejo, a mão no teto, o dedo na orelha, a coceira no pescoço (após algumas semanas de viagem, todos os sinais de cansaço são devidamente decodificados pelos companheiros de carro).

Já para dirigir nas cidades peruanas, a lição é mais fácil (ou não, já que se requer toda a atenção da estrada com um item a mais). Esqueça embreagem, freio, acelerador ou qualquer outro detalhe automobilístico. Basta saber uma coisa: buzinar.

Por aqui, buzina-se para o carro em frente para informar que o semáfaro foi ao verde já há 1 segundo. Buzina-se ao carro de trás para lembrar que você está na frente. Buzina-se para o carro ao lado para avisar que a prioridade da rua é sua, não importa qual rua. Buzina-se aos transeuntes para que eles saibam que você é um carro – e portanto só você quem pode buzinar. Buzina-se às cholas que empurram carrinhos para que elas não tenham dúvidas que o seu carro é o mais potente. Desconfio que buzina-se também, dentro de um misterioso código peruano, para dizer “hola!”, “que tal!”, “como hás estado?”.

Como viajante, sempre gostei de me sentir menos turista e mais adaptado aos locais. Fom-fooom!

Rodovia Panamericana, muito prazer

Caminhos de terra também aparecem

Percorrendo o Valle Sagrado

Mas eu tô bem acordado!

6 comentários para “Como dirigir nas cidades peruanas em 1 lição”

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Travel-writer Z.
Zizo Asnis
Viajante na vida, publicitário no diploma, jornalista na prática, escritor no ofício, fotógrafo no instinto, cineasta na beirada. Ou apenas travel-writer, já que outra tradução não há. Brasileiros na Europa ou na América do Sul me culpam pelos Guias O Viajante. Dever cumprido.
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