Santiago e Atacama: Roteiro de 10 dias pelo Chile

 

Santiago e Atacama: Roteiro de 10 dias pelo Chile

A cidade de Santiago e o Deserto do Atacama não são os dois destinos mais
visitados pelos brasileiros no Chile à toa.
A primeira, surpreende pela sua organização, e os arranhas-céu junto às
Cordilheiras dos Andes, de fato, formam um belo cenário. O segundo, ostenta paisagens
no seu estado mais natural e intocado, criando visuais que parecem ter sido pintados
utilizando todas as cores da aquarela.
Santiago é a porta de entrada para os viajantes que querem ver neve pela primeira
vez. Já o Atacama pode ser o ponto de partida para se aventurar em outra imensidão
branca, só que de sal: o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, que fica na
Bolívia, perto da fronteira com o Chile.

Santiago e Atacama: noite animada e noite pacata, passeios urbanos e passeios
ecológicos, restaurantes elegantes e restaurantes modestos. Dois destinos que oferecem
programações completamente diferentes, mas que combinam com tremenda harmonia
num único roteiro de viagem.

# Dia 1: Chegada a Santiago

Parte do primeiro dia de qualquer viagem é perdido com deslocamento, check-in
no hotel e, às vezes, trocando o dinheiro que levamos para a moeda local – em Santiago,
o melhor lugar para câmbio é a Rua Agustinas, no centro. Por conta disso, o ideal é não
contar com essas primeiras vinte e quatro horas como tempo útil no destino.
Caso sobre algum tempo livre depois de todas estas burocracias de férias, uma boa
dica é aproveitar o restinho do dia no bairro Bellavista, uma das vizinhanças mais
descoladas de Santiago onde não faltam paredes grafitadas, bares animados e
restaurantes para todos os bolsos.
Para um passeio cultural, o Museo Nacional de Bellas Artes, um dos melhores da
cidade e que tem entrada gratuita, se encontra a menos de um quilômetro de Bellavista.

 

# Dia 2: Free Walking Tour e Museus

Para conhecer os principais atrativos do centro de Santiago incluir um free
walking tour no roteiro é bastante conveniente. Além de visitar as principais atrações
turísticas desta região, aprender parte da história do país, conseguir dicas de restaurantes

e conhecer outros viajantes, acaba sendo consequências naturais sempre muito bem-
vindas.
A Strawberry Tours oferece esse tour todos os dias, com saída às 10h30 em frente
à estação de metrô Universidad Católica. O passeio dura aproximadamente três horas e
o itinerário inclui paradas no Centro Cultural Gabriela Mistral, bairro Lastarria, Cerro
Santa Lucia, Palacio de la Moneda, Plaza de Armas e outros lugares de importância
histórica para a capital chilena.
Como o tour termina na hora do almoço, aproveitar para fazer uma refeição pela
região é uma decisão acertada. O Mercado Central de Santiago é a uma opção
tradicional e com preços turísticos, onde quem reina na mesa são os frutos do mar. Para
gastar pouco, as empanadas do Emporio Zunino, ou os sanduíches dos carrinhos de
lanche ao lado da Plaza de Armas, deixam o estômago e o bolso felizes.
De barriga cheia e coração contente, vale dedicar uma horinha para conhecer o
Museo de Arte Precolombino, que fica perto da Plaza de Armas, e reúne um dos
melhores acervos históricos e artísticos sobre este tema em toda a América do Sul.
Em seguida, outro museu para ticar da lista do que fazer em Santiago é o Museo
de la Memoria y los Derechos Humanos. Instalado num prédio que apenas a arquitetura
em si já valeria a visita, o Museo de la Memoria tem exposições impecáveis sobre a
história das barbáries cometidas pela ditadura militar chilena.
Caso haja tempo depois de visitar o museu, o fim de tarde pode ser aproveitado no
agradável Parque Quinta Normal, que fica ao lado do Museo de la Memoria y los
Derechos Humanos, e que abriga ainda o Museo Nacional de Historia Natural.

 

# Dia 3: La Chascona, Cerro San Cristóbal e SKY Costanera

Uma das personalidades chilenas mais conhecidas pelo mundo é Pablo Neruda,
poeta ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, em 1971. Além disso, Neruda tinha uma
participação ativa na política do Chile, e chegou a ser o embaixador do país na França.
Com feitos tão significativos, três casas onde Pablo Neruda morou durante a vida
se tornaram atrações turísticas. Atualmente, são casas-museus onde a história e objetos
do poeta permanecem presentes.
Em Santiago, no bairro Bellavista, está situada uma das antigas casas do poeta: La
Chascona, que quer dizer “A Cabeluda”. O nome que num primeiro momento parece
inusitado, ganha sentido quando entendemos de que se trata de uma referência a sua
terceira esposa, Matilde, com quem lá viveu pelo resto da vida.
Depois de voltar ao passado e fazer uma imersão na vida de Neruda, o lugar mais
conveniente para seguir com o roteiro é o Cerro San Cristóbal, que tem uma entrada
praticamente ao lado da La Chascona.

Localizado numa área que faz parte do Parque Metropolitano de Santiago, o Cerro
San Cristóbal é apenas uma das atrações do parque. O jeito mais prático para chegar ao
cume do cerro, e ser presentado com uma vista panorâmica de Santiago, é com os
funiculares – que partem justamente da entrada que fica ao lado da casa de Neruda.
Para voltar, a dica é descer de teleférico, e sair num outro ponto do parque, que
fica perto ao SKY Costanera, a próxima atração a ser visitada.

No bairro Providencia – um dos melhores bairros para se hospedar em
Santiago – o SKY Costanera se destaca com seus 300 metros de altura e é atualmente o
prédio mais alto da América do Sul. O acesso ao mirante é pelo Shopping Center
Costanera, um dos maiores shoppings de Santiago.
O visual mais bonito do mirante é no fim da tarde, quando o pôr do sol pinta o
céu – e a Cordilheira dos Andes – em tons alaranjados.

# Dia 4: Bate-volta para Valparaíso e Viña del Mar

A pouco mais de cem quilômetros de Santiago, a dupla litorânea Valparaíso e
Viña del Mar formam o passeio bate-volta mais tradicional desde a capital do Chile.

Embora seja um passeio cansativo, num tour deste tipo é possível conhecer os principais
encantos de cada uma delas.
Embora estejam apenas sete quilômetros distantes e, inclusive, são conectadas por
uma linha de metrô, Valparaíso e Viña del Mar são dois mundos diferentes.
Viña é um balneário charmoso, daqueles que oferecem um belo calçadão a beira-
mar e com prédios modernos na orla. Ruas limpas e organizadas, restaurantes
requintados, e dias à toa na areia de frente para o mar, fazem parte do dia a dia em Viña
del Mar.
Valparaíso, por outro lado, é o destino cultural e cheio de história do litoral
chileno. Longe de ser uma unanimidade entre os viajantes, Valpo – como é chamada
pelos mais íntimos – conquista pelos murais de arte espalhados nas paredes da cidade,
suas casinhas coloridas, e pelo astral despretensioso. É inquestionável, porém, que suas
ruas caóticas e bagunçadas realmente não é o melhor cartão de visitas que um viajante
poderia receber.
Viajando ao Chile durante o inverno e com pouco tempo para todos os passeios, o
bate-volta a Valparaíso e Viña del Mar pode ser substituído por um dia no Valle Nevado
– principal destino de neve no Chile e que está a menos de duas horas de Santiago.
Além de poder aproveitar a neve, essa troca também é conveniente pelo fato do
inverno ser a época mais chuvosa em Valpo e Viña, o que deixa o passeio para estas
bandas pouco aproveitável.

# Dia 5: Vinícolas

Certamente o clichê mais sedutor da capital chilena, visitar ao menos uma
vinícola é um programa que dificilmente fica de fora de um roteiro na cidade.
Embora existam literalmente dezenas de vinícolas para visitar pelos arredores de
Santiago, todas elas oferecem um tour com preços e dinâmicas semelhantes. Além de
contar a história do lugar e explicar o processo de fabricação do vinho, o passeio inclui
degustações da bebida símbolo do país.
Em média, o passeio mais básico por uma vinícola dura cerca de uma hora e meia.
Além deste, as vinícolas costumam oferecer também uma versão mais completa do tour,
que inclui maior quantidade de vinhos a ser provado, e tábua de frios e petiscos no
encerramento. Além de ser um pouco mais caro, esse passeio dura ao menos duas horas.
Três vinícolas próximas a Santiago que podem ser visitadas numa manhã ou tarde,
são: Concha y Toro, Undarraga ou Cousiño Macul. As três possuem agendamento pelos
seus sites oficiais, e nas três é possível chegar utilizando o transporte público de
Santiago.

# Dia 6: Deslocamento para o Atacama

Um voo de duas horas leva os viajantes de Santiago para Calama, a cidade onde
está o aeroporto mais próximo para chegar a San Pedro de Atacama.
Uma vez no aeroporto de Calama – Aeroporto Internacional El Loa (CJC) –
diversas empresas de transfer oferecem transporte terrestre do aeroporto a San Pedro. O
deslocamento leva aproximadamente uma hora e meia e já deixa o viajante no hotel em
que ficará hospedado.
Dica: comprando os trechos de ida e volta junto, há um desconto.
Mais uma vez, como parte do dia é perdido por causa dos deslocamentos, o
melhor a fazer quando chegar em San Pedro de Atacama é descansar para os dias
intensos que virão pela frente.
Além do que, como o fator altitude estará presente nesta etapa do roteiro pelo
Chile, é recomendável não fazer atividades que exigem muito esforço físico neste
primeiro momento.

# Dia 7: Passeio Lagunas Altiplânicas

O tour pelas Lagunas Altiplânicas é um dos melhores passeios no Atacama – se
não for o melhor! O motivo? Durante um dia inteiro esse tour passa por algumas das
paisagens mais cênicas do deserto.
Além das Lagunas Altiplânicas propriamente ditas – que são a Laguna Miscanti e
a Laguna Miñiques – outros lugares que costumam fazer parte da programação, são:
mirante de Piedras Rojas, Laguna Tuyaito, Salar do Atacama e no Vilarejo de Toconao.
Apesar de ser uma aventura que chega a pouco mais de 4.000 metros acima do
nível do mar, como a mudança de altitude é feita aos poucos, com diversas paradas ao
longo do caminho, esse é um passeio que pode ser feito no primeiro dia de viagem ao
Atacama. Inclusive, pode ajudar na aclimatação.

# Dia 8: Passeio Lagunas Escondidas + Valle de la Luna e Valle de la Muerte

Estes dois passeios podem ser combinados num mesmo dia, sendo que dá pra
fazer as Lagunas Escondidas pela manhã, e o Valle de la Luna e Valle de la Muerte
durante a tarde.
Com água azul turquesa bem no meio do cenário desértico, além da bela
paisagem, o passeio para as Lagunas Escondidas oferece ainda uma das experiências
mais bacanas do Atacama: flutuar numa lagoa sem precisar fazer o menor esforço.
Devido a grande concentração de sal que há na água, mesmo pessoas que não
sabem nadar ficam boiando naturalmente. Aliás, por mais que o viajante tente afundar,
não irá conseguir.

Não menos impressionante do que essa experiência pouco comum, o passeio ao
Valle de la Luna e Valle de la Muerte é um dos clássicos que dificilmente fica de fora
de uma viagem ao deserto.
A apenas seis quilômetros de San Pedo de Atacama, estes vales formam o deserto
que normalmente se imagina: uma imensidão de areia a perder de vista.

O passeio normalmente começa pelo Valle de la Luna, onde os viajantes exploram
a região com curtas caminhadas sobre as formações de areia. Em seguida, o grupo parte
para o Valle de la Muerte, onde se tem um dos pôr do sol mais lindos do Atacama.

# Dia 9: Passeio Salar de Tara

Assim como o passeio para as Lagunas Altiplânicas, o passeio ao Salar de Tara
dura o dia inteiro e vai a lugares com altitude acima dos 4.000 metros. Neste caso,
porém, como a mudança de altitude é feita muito rapidamente, o ideal é deixar este tour
para os últimos dias de viagem, quando o organismo já estiver melhor aclimatado.
Uma boa dica para não sofrer com essa mudança de elevação é manter-se
hidratado durante todo o passeio. A péssima notícia, porém, é que não há banheiro em
nenhum momento deste passeio. Quer dizer, não há banheiro convencional. Mas o
tradicionalíssimo Baño Inca – leia-se uma grande rocha ou um arbusto – pode ser
acionado a qualquer momento.
O passeio ao Salar de Tara é mais contemplativo. Embora tenha muitas paradas ao
longo do caminho, há poucos momentos de caminhada. Os lugares que fazem parte da
rota, são: mirante do Vulcão Licancabur, Bofedal de Quepiaco, Catedrales e Monje de
la Pacana, Salar de Tara, Laguna Negra, Salar de Quisquiro e Laguna Diamante.

# Dia 10: Passeio Geysers El Tatio e retorno

Acordar as quatro da matina, passar frio, e encarar 4.300 metros acima do nível do
mar, pode até parecer o pior programa de férias. No entanto, este passeio é responsável
por levar os viajantes a um dos cenários mais distintos do deserto: os Geysers El Tatio.
Considerado o terceiro maior campo geotérmico do mundo, acordar cedo para
conhecer este lugar não é sem razão: além de ser o horário com maior atividade
geotérmica, a partir do momento que sol começa a brilhar, não se consegue mais
enxergar as erupções d’água causada por este fenômeno.
Os viajantes que tem o voo de volta para casa marcado para a noite podem fazer
estes passeio de manhã, e depois do almoço, seguir para o aeroporto. Uma melhor
pedida, no entanto, é ficar com a tarde livre – ou quem sabe fazer um último passeio
durante a tarde, como Laguna Cejar ou Termas de Puritama – e ir embora somente no
dia seguinte.