San Blas: tesouro do Panamá

A simplicidade e a beleza de San Blas | Foto por Felipe Parma

A simplicidade e a beleza de San Blas | Foto por Felipe Parma

 

Por Felipe Parma

 

Aquele país estreito, bem ali na América Central, com sua capital associada quase sempre ao paraíso das compras, esconde um tesouro ainda muito pouco explorado por turistas, e que se estende por toda costa norte do Panamá: San Blas, ou Kuna Yala, na língua nativa.

 

Um pouco da história de San Blas

É um arquipélago formado por mais de 360 ilhas (dizem que existe uma ilha para cada dia do ano), pertencente aos Índios Kuna, que tiveram seus primeiros contatos com expedições espanholas por volta dos anos de 1500. Ou seja, eles vivem lá há bastante tempo. O mais espetacular é que eles mantêm sua cultura e seus hábitos praticamente intactos, salvo algumas influências que o homem moderno acabou exercendo.

 

Enfim, os Kuna ainda dominam o local e controlam tudo com muito rigor e tradição. Para entrar e sair de seu território, por exemplo, você precisa mostrar seu passaporte e pagar uma taxa (vou explicar mais adiante). É como se fosse um país completamente diferente dentro do Panamá.

 

Tudo bem. Mas como vou até lá?

Da Cidade do Panamá até o território de San Blas são 3h de viagem de carro, geralmente um 4×4, único jeito de chegar lá. O transporte é feito por um motorista Kuna que tem autorização de seu líder para buscar turistas interessados em conhecer os encantos das ilhas.

 

No meu caso, reservei um lugar no 4×4 com o pessoal da recepção de um hostel na Cidade do Panamá por $60 dólares ida e volta. Depois disso, é só aparecer no horário combinado em frente ao albergue, por volta das 4h30 da madrugada, e curtir a viagem. A estrada se torna um pouco sinuosa quando se aproxima do destino final, mas é bem tranquila.

 

Parte da estrutura da ilha, com direito à quadra de vôlei de praia | Foto por Felipe Parma

Parte da estrutura da ilha, com direito à quadra de vôlei de praia | Foto por Felipe Parma

 

Na entrada do território Kuna é solicitada a apresentação do passaporte e o pagamento de uma taxa de $12 dólares (guarde o papelzinho de controle, será solicitado na saída do território). Salvo se o seu passaporte estiver irregular, acredito não haver risco em ser barrado na entrada. Apesar de simples, o controle é como em qualquer aeroporto: não leve drogas ou qualquer objeto que ofereça uma ameaça para os habitantes das ilhas ou para os turistas.

 

Mas são mais de 350 ilhas. Qual devo escolher?

Nem todas as ilhas estão preparadas para receber turistas. Na verdade, são poucas. Após passar da fronteira, você deve escolher umas dessas ilhas, para onde um Kuna irá te levar em um barco bem simples, normalmente com capacidade para umas 10 pessoas. Ah! Sim, eles têm salva-vidas.

 

A ilha que escolhi  se chamava Ina e ficava bem próxima ao território. Demorou em torno de 30min para alcançar essa pequena porção de terra. Outra ilha legal é a Senidub. Todas são bem parecidas, com palmeiras e uma água fantástica.

 

Quanto custa a ilha 5 estrelas?

Não existe isso lá. Se eu pudesse resumir San Blas em uma única palavra, escolheria “simplicidade”. Todas as estruturas, pelo menos das ilhas que vi, são de bambu. Banheiros, quartos, cozinha…tudo!

 

Energia elétrica é só de gerador, que alimenta umas poucas lâmpadas com horário certo para se apagarem. Por volta de 1h da madrugada, tudo fica escuro e os únicos brilhos vêm do lindo céu estrelado e das fogueiras acesas. Os banhos são frios e, quando estive lá, o reservatório de água se encheu com água da chuva. Sensacional, né?

 

Você levanta já com o pézinho na areia e tem almoço pescado e preparado pelos Kunas | Fotos por Felipe Parma

Você levanta já com o pezinho na areia e tem almoço pescado e preparado pelos Kunas | Fotos por Felipe Parma

 

A diária foi de $20 dólares com direito a três refeições: café da manhã, almoço e jantar. Macarrão, ovo, arroz, lagosta, peixes, lentilhas compõem os pratos (a lagosta é pescada por eles mesmos). O dormitório era uma cabana de bambu e palha, contendo três camas com colchão de espuma, e o piso era a areia da praia mesmo.

 

Incluído no preço, tem uma visita a outra ilha próxima, que é tão linda quanto todas, onde você passa o dia lá, com uns gringos e só. Sem comida, água ou telefone. Experiência única.

 

Tem água mineral para comprar na ilha e, apesar das refeições, recomendo levar alguns lanches e remédios básicos para não passar aperto. Um livro também é recomendável, já que o tempo lá passa beeeem devagar.

 

Vale a pena ir? Se sim, quando?

Visita à outra ilha. Desta vez, paguei 5 dólares para fazer uma travessia | Foto por Felipe Parma

Visita à outra ilha. Desta vez, paguei 5 dólares para fazer uma travessia | Foto por Felipe Parma

 

Vale muito a pena. Porém, depende muito de seu estilo e viagem. Se você busca conforto e resorts perfeitos, não vá. Se você busca uma aventura diferente com simplicidade e vistas paradisíacas, definitivamente, vá. O Kuna líder da ilha Ina me disse que a época chuvosa é de junho a setembro. Então, não vá nesses meses para que, assim, tire o maior proveito possível desse tesouro panamenho.



Felipe Parma

Felipe Parma, mochileiro apaixonado por viagens, livros, fotografia, filmes, entre outras coisas. Trabalha durante 11 meses no ano aguardando ansioso pelas férias, para que, assim, possa sair feito doido explorando o mundo. Acredita que viajar, independente da forma, abre portas para o auto conhecimento e nos torna mais empáticos, pacientes e sensatos.

  1. Juliana

    Incrível relato! Quero ir ontem… =)
    Gostaria, se possível, que contassem toda a aventura, desde o Panamá, uma vez que acredito que uma viagem dessas não deve ser somente à ilha. Quais foram os outros locais visitados? Como seria um mochilão nesta região?
    Muito obrigada por compartilhar esta experiência!

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  2. João Ruela

    adorei suas dicas! E o texto está muito bem escrito! Você deveria juntá-lo a outros para fazer um livro de “dicas de viagens do Felipe”. Abraco.

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Comentários

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