Roteiro de 9 dias pela bela Bolívia

Laguna Blanca, na travessia do Salar de Uyuni | Foto por Zizo Asnis

Laguna Blanca, na travessia do Salar de Uyuni | Foto por Zizo Asnis

 

Quem procura por uma viagem na América do Sul repleta de paisagens incríveis e com uma grande diversidade cultural em um único país, encontra essa opção na Bolívia. Não é a toa que se chama, oficialmente, Estado Plurinacional da Bolívia. Sua história e suas lutas, assim como suas belezas naturais, o tornam um destino interessantíssimo e que fica bem perto da gente.

 

Geralmente, as pessoas incluem o deserto do Atacama e o Salar de Uyuni numa mesma viagem, já que são bem pertos um do outro, criando um circuito entre o Chile e a Bolívia. Minha viagem pela Bolívia foi de 9 dias e meu roteiro pelo país foi o seguinte:

 

– 3 dias na travessia do Salar

– 1 dia me deslocando entre Uyuni e Copacabana

– 1 dia na Isla del Sol

– 1 dia me deslocando entre Isla del Sol e La Paz

– 3 dias inteiros em La Paz

 

1º ao 3º dia: Travessia do Salar de Uyuni

Minha viagem pela Bolívia se iniciou na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, porta de entrada para quem quer fazer a travessia do Salar de Uyuni partindo de San Pedro do Atacama, no Chile, como foi o meu caso. Nessa reserva, a viagem é quase sempre acima de 4.500m de altitude, passando por lagoas incríveis, como a Laguna Verde, Laguna Colorada e Laguna Blanca.

 

Laguna Colorada| Foto por Felipe Parma

Laguna Colorada | Foto por Felipe Parma

 

O abrigo no final do primeiro dia, incluído no pacote da agência, era bem simples, mas confortável, com cobertores e janta incluída. Por se tratarem de abrigos a quase 5.000m de altitude na parada da Laguna Colorada, nenhuma agência oferece banho com água quente.

 

Aqui, uma pausa para um primeiro conselho: “não economize na escolha da agência”. Escolha entre as melhores para que seu passeio seja seguro e o menos desconfortável possível. A travessia dura de três a quatro dias dependendo do roteiro e é BEM cansativa.

 

No segundo dia, o roteiro inclui visita aos gêiseres – águas termais que encontram-se a uma temperatura média de 35°C–, mais algumas lagunas de cair o queixo e, para encerrar o dia, a estadia em um albergue feito todo de sal, literalmente.

 

Isla del Pescado no Salar de Uyuni | Foto por Felipe Parma

 

É só no terceiro e último dia que o passeio chega propriamente ao Salar de Uyuni, começando pelo nascer do sol na Isla del Pescado, que tem cactos gigantes e centenários. O Salar de Uyuni é o maior salar do mundo com mais de 10.000km² e sua imensidão permite a realização de infinitas e criativas fotos de perspectivas, tão famosas entre os turistas que passam por lá.

 

Assim como alguns passeios do Deserto do Atacama, o Salar de Uyuni causa a sensação de se estar fora do planeta. Depois do Salar, passamos por um cemitério de trens bem antigos e, finalmente, chegamos à cidade de Uyuni.

 

Foto perspectiva tirada no Salar de Uyuni | Foto por Felipe Parma

Foto perspectiva tirada no Salar de Uyuni | Foto por Felipe Parma

 

Realizei a travessia de San Pedro do Atacama, no Chile, até Uyuni, na Bolívia, com a agência Cordillera Traveller. O motorista era atencioso e cauteloso, e os abrigos dessa agência eram os melhores. Eles estão no mercado, se não me engano, há mais de 20 anos.

 

Porém, devido ao know-how e à fama dessa agência, eles não dão muitos descontos (é uma das mais caras lá) e recomendam agendar com antecedência – o site não é dos melhores, mas dá para fazer as reservas necessárias. A agência tem escritórios em San Pedro e em Uyuni, de modo que é possível fazer a travessia com eles nos dois sentidos.

 

4º dia: Os desafios de ir de Uyuni a Copacabana

De Uyuni até Copacabana, já no Lago Titicaca, são 8h de trem e mais 8h de ônibus, com direito a baldeação em Oruro e em La Paz, e muito perrengue, já que os serviços na Bolívia deixam muito a desejar. O primeiro trecho, de Uyuni a Oruro, fiz de trem. Depois, de Oruro a La Paz, de ônibus e, finalmente, de La Paz a Copacabana, também de ônibus.

 

O bilhete do trem que sai de Uyuni pode ser comprado no site da Empresa Ferroviária Andina, mas os bilhetes dos ônibus sugiro que sejam comprados na hora mesmo. Aqui, outra pausa para um segundo conselho: “não economize na passagem de ônibus e tenha paciência na escolha da empresa”. Caso contrário, você corre enorme risco de ficar parado na estrada por problemas mecânicos e outros.

 

5º dia: Titicaca, Copacabana e Isla del Sol

Isla del Sol no Lago Titicaca | Foto por Felipe Parma

Isla del Sol no Lago Titicaca | Foto por Felipe Parma

 

Fronteira natural entre Peru e Bolívia, o Lago Titicaca está a 3.820m acima do nível do mar. Copacabana é a porta de entrada para quem pretende conhecer a Isla del Sol, legado muito fiel do Império Inca, no lado boliviano do lago, com uma beleza estonteante. O deslocamento entre Copacabana e a ilha é feito somente de barco. Em Copacabana, há muita oferta de hotéis e restaurantes, e a cidade é até charmosinha.

 

Na Isla del Sol é possível fazer uma trilha de 10km entre a parte norte e a parte sul, com vista para a Cordilheira dos Andes. É uma caminhada de dificuldade média por causa da altitude, mas nada impossível. Na parte sul da ilha, a parte mais turística, se encontram as melhores ofertas de hotéis, albergues e restaurantes.

 

Casa na trilha da Isla del Sol no Lago Titicaca | Foto por Felipe Parma

Casa na trilha da Isla del Sol no Lago Titicaca | Foto por Felipe Parma

 

6º ao 9º dia: La Paz e La Estrada de la Muerte

Após visitar a Isla del Sol, a viagem foi finalizada em La Paz, onde permaneci, no total, por 4 dias. A cidade tem como símbolo o Illimani, uma montanha de quase 6.500m de altitude e que se tornou seu símbolo.

 

Em La Paz, é possível realizar walking tours para conhecer sua história, ver e entender os diferentes hábitos de sua população e tirar ótimas fotografias urbanas. Para fechar, o imperdível passeio de bike pela Estrada de la Muerte, realizada por agências autorizadas, um dos pontos altos da viagem.

 

Saiba mais – Carretera de la Muerte: pedalada pela estrada mais perigosa do mundo

 

Estrada da Morte nos arredores de La Paz | Foto por Felipe Parma

Estrada da Morte nos arredores de La Paz | Foto por Felipe Parma

 

No aeroporto de São Paulo, estava com a sensação de ter vivido uma aventura que durou meses. Meus pés e costas estavam cansados, minhas roupas sujas e furadas, minha mochila, provavelmente, será aposentada. Mas, o que a Bolívia me propiciou, com todas suas belezas,  diversidades culturais e perrengues pelo caminho, será algo que jamais esquecerei. Foi algo surpreendente.

 

Vale dizer que este roteiro não é nada fácil e, devido às péssimas condições das estradas e dos serviços bolivianos, indico fazer essa viagem no sentido oposto ao que eu fiz: o melhor é começar a viagem na Bolívia e terminar no Chile, país que oferece uma infraestrutura mais adequada.

 

Um breve esquema no mapa para mostrar os lugares visitados: