As misteriosas cavernas do Núcleo Santana do Petar

Caverna Santana, a principal | Foto Daniel Carnielli

Caverna Santana, no principal núcleo do Petar| Foto Daniel Carnielli

 

Por Daniel Carnielli

 

“Estou surpreso. Nunca imaginei ser tão divertido entrar em cavernas assim!”. Estas foram minhas palavras na primeira vez que estive neste lugar. Localizado no município de Iporanga, ainda no estado de São Paulo, mas já próximo da divisa com o Paraná, o Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira (Petar) ganha este nome em função da sua localização, nas cercanias do rio Ribeira e de alguns de seus afluentes.

 

Fundado em 1958, o Petar, um dos mais antigos parques do estado, abriga e protege um patrimônio arqueológico único. Acredita-se que seja o maior, ou um dos maiores conglomerados de cavernas do mundo. O parque se divide em quatro núcleos que delimitam a visitação a fim de preservar o sensível e valioso ecossistema subterrâneo da Mata Atlântica.

 

Caverna do Couto, uma das possibilidades de visitação no Petar | Foto Daniel Carnielli

Caverna do Couto, uma das possibilidades de visitação no Petar | Foto Daniel Carnielli

 

Aqui em Iporanga, cidade charmosa com 5 mil habitantes, situa-se três dos quatro núcleos do Petar: Santana, Ouro Grosso e Casa de Pedra; o núcleo Caboclos fica em Apiaí, a 40 Km. Nesta viagem visitei junto com um grupo o núcleo Santana, que, além de ser o principal, é também a sede do Petar.

 

Confortavelmente hospedados e bem assessorados pelos guias, visitamos também a caverna que dá nome ao núcleo, a Caverna Santana, uma das mais profundas e conhecidas da região. Com estimados 7 km de profundidade, possui a maior área aberta à visitação dentre todas as cavernas do Petar. São várias horas na estranha e curiosa sensação de exploração de um ambiente distinto, isento de luz natural.

 

Misteriosa Caverna Santana | Foto Daniel Carnielli

Até um rio passa por dentro da Caverna Santana | Foto Daniel Carnielli

 

Caverna Santana Petar | Foto Daniel Carnielli

Não existe luz natural na Caverna Santana | Foto Daniel Carnielli

 

Se você já assistiu o filme “O Segredo do Abismo”, esqueça-o antes de entrar na caverna Santana. Profunda, misteriosa e até com um rio passando por dentro, esta caverna é incrível. A partir de diversos relatos, os guias vão nos entretendo com as curiosas experiências já realizadas nesta e em outras cavernas.

 

“Até Hermeto Pascoal gravou aqui dentro” diz o guia, “ainda bem que não pode mais” complementa. E eu concordo, afinal uma gravação destas não me parece muito ecológica. (Assista no YouTube)

 

Atravessar o Rio Betari faz parte da trilha | Foto Daniel Carnielli

Atravessar o Rio Betari faz parte da trilha | Foto Daniel Carnielli

 

As trilhas na Mata Atlântica são sempre razoavelmente quentes e úmidas. Durante o trajeto, frequentemente atravessamos o Rio Betari, um dos afluentes do Rio Ribeira, que neste trecho se apresenta em brandas corredeiras de água transparente.

 

Pés secos parece não ser uma opção se você quiser conhecer estas cavernas. É divertido, pessoalmente acho engraçado principalmente quando há no grupo alguém que reclame da água gelada, mesmo que limpa. Ai ai ai.

 

Água e barra faz parte do passeio | Foto Daniel Carnielli

Água gelada (mas limpa!) faz parte do passeio | Foto Daniel Carnielli

 

Mas não se anime, nem tudo é água limpa nesta região. Há também a Caverna Água Suja, que tem seu nome por conta do rio levemente barrento que temos que atravessar para entrar na caverna. “Houve um só caso de alagamento que conhecemos, vários anos atrás”, respondeu o guia quando perguntei se não havia risco de alagamento. “Sem emoção não tem graça, certo?” respondi.

 

Nome da caverna tem relação com o rio | Daniel Carnielli

Nome da caverna tem relação com o rio das imediações | Foto Daniel Carnielli

 

O Petar ainda tem muito a ser visto, afinal, o número não oficial de cavernas chega próximo de 400, embora apenas 12 estejam liberadas para visitação. Há ainda os abismos, que são outra categoria de caverna, cuja formação não permite a simples caminhada, mas sim o uso de técnicas de rapel e espeleologia. O núcleo Santana é também o principal núcleo escolhido pelas escolas e outras agências com passeios mais educativos. Uma riqueza que vale a pena ser visitada.

 

Quando visitar

O guia Leo, do Planeta Trilha, contando detalhes sobre a trilha | Foto Daniel Carnielli

O guia Leo, do Planeta Trilha, contando detalhes sobre o Petar | Foto Daniel Carnielli

 

Recomendo para a visitação épocas fora dos períodos de chuva, que começa em dezembro e segue até março. Chuva e rios juntos sempre são antônimo da aventura com segurança. Apesar da umidade, à noite sempre faz, a mata é fechada inclusive próximo à cidade.

 

Iporanga fica na divisa do estado São Paulo com Paraná. O acesso pode ser feito partindo da rodovia Regis Bittencourt na altura de Registro. De Registro, siga para Eldorado e depois a Iporanga. Este trecho (da rodovia até Iporanga) é lento e requer cuidado. São incontáveis curvas em uma estrada de mão dupla com pedestres e animais em vários trechos. Também é uma estrada bonita que costeia trechos do Rio Ribeira.

 

De carro:

– De São Paulo: 320km e não menos que 5h de estrada asfaltada
– De Curitiba: 200km em 3h de estrada asfaltada

 

De ônibus:

– De São Paulo: Viação Transpen

 

Galera do Horizonte Encontrado | Foto Daniel Carnielli

Galera do Horizonte Encontrado | Foto Daniel Carnielli

 

Agradecimento aos amigos que participaram deste final de semana tão memorável, novamente obrigado!

Passeio e organização: Horizonte Encontrado

Pousada: Gamboa Eco Refugio

Guias: Planeta Trilhas

Referências: Hermeto Pascoal, Música da Caverna