Caminho de volta

A partir de agora viajo só. E a primeira viagem de trem só pela madrugada já foi uma aventura por si só. Partindo as 22:00 e chegando em Toulouse as 13:00 horas do dia seguinte, com 4 mudanças de trem e 3 horas de espera na madrugada na pequena cidade de Ventimiglia, na Itália.

O primeiro trem parecia uma cena de um filme do Hitchcock. Vazio, cinza e azul em poltronas e paredes. Eu e uma senhora idosa no vagão. Grupos de jovens punks atravessavam os vagões, como em marcha. Um casal que aparecia de tempos em tempos, com substâncias a influenciá-los, certamente. Não sabiam se sentavam, se brigavam, se perguntavam. Me perguntaram alguma coisa. Ela mesma respondeu: – Lui non cappisca (vá benne!). Depois que a velhinha saiu do vagão, tudo foi silêncio e quietude, mas com os olhos alertas.

Devo dizer que o pior foi a espera na estação. Carregado de material de filmagem, e ainda sem uma boa organização dessa bagagem, me vi com câmera em tripé, saltando em uma estação repleta de moradores de rua e grupos, digamos,  “suspeitos”. Concentrado de que não poderia dormir em hipótese alguma e sem sucesso em qualquer contato visual amigável, me posicionei ao lado da maquina de café entre as linhas de trem e fiquei administrando os 5 euros de moeda em cappuccinos para manter-me acordado.

Esse é um daqueles momentos na vida que se reflete profundamente o que você deseja para sua vida. Senti naquele momento a incumbência de fazer uma promessa a mim mesmo. Dali em diante faria mais esforço para construir uma carreira sólida, para administrar bem minhas finanças, para ser responsável pelo meu futuro. Esperando que assim se evite madrugadas no frio de uma estação de trem.

Ajudo um francês de uns 40 anos a salvar sua água que não desceu na máquina. O diálogo truncado pela incompreensão mutua terminou quando afirmou: – No. Aqui no é seguro.

Bom , depois do trem que se abriu as 5:30, tive momentos mais tranquilos. O conforto veio mesmo de Marseille para Toulouse. De 10 da manha às 14h. E aí vem Toulouse. Fiquei na casa de uma grande amiga que está fazendo Erasmus na cidade. Ela me espera para organizar nossa “Road trip” com mais duas amigas. Mas antes ainda preciso recuperar meu passaporte!

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Rumo ao Ártico!

Como vocês puderam acompanhar no último post, segui a viagem de trem no trecho Dombås-Trondheim. A ideia era conhecer a cidade tranquilamente, passar uma noite por lá e partir no dia seguinte pela manhã, mas as coisas aconteceram um pouco diferente do planejado.

Desembarquei em Trondheim e fui direto ao albergue. E foi lá que as coisas começariam a mudar. Não havia nenhuma cama disponível, mas a gentil recepcionista começou a fazer ligações para encontrar um lugar para eu dormir. Após várias tentativas – todas sem sucesso –, ela me diz: “ – Tá tudo lotado!”. Bem, isso eu já havia percebido na expressão dela, mesmo sem entender uma palavra em norueguês. Ainda insisti por um colchão, sofá, qualquer coisa… Não teve acordo. Havia um congresso na cidade e não havia lugar pra mim…

Consultei a tabela de horário dos trens e descobri que havia um trem noturno para Bodø (perceberam que em norueguês sempre tem uma letra estranha? Esperem até eu chegar na Rússia!). Foi a opção que me restou. Foi uma corrida contra o tempo (e contra a chuva que caía em intervalos) para pegar todas as informações que precisava. Apesar do pouco tempo, consegui explorar bem a cidade.

Trondheim é uma cidade que tem seu valor. Sua catedral, no centro da cidade, é de dar inveja à muitas outras por aí, além de guardar uma história muito curiosa. Bakklandet, o bairro antigo, apresenta uma série de casas de madeira sobre palafitas à beira do rio Nidelva. Seguindo morro acima há um forte que não é tão atraente assim, mas proporciona uma vista deslumbrante.

Missão cumprida em Trondheim. A noite chegava e era hora de partir. Eu adoraria fazer essa viagem durante o dia para poder ver a mudança das paisagens, mas não foi possível. Embarquei em um trem antigo, mas muito confortável. O fato de saber que acordaria acima da linha do Círculo Polar Ártico me dava calafrios – e não era pra menos!

Chegando ao meu destino, ao contrário do que podemos imaginar, não havia neve nem ursos! As boas vindas à Bodø foram dadas com muito frio, chuva e vento. Poderia ter sido pior se o albergue não fosse na própria estação de trem! Tomei um chocolate quente para me aquecer e caí no Ártico. Para mim, particularmente, é emocionante estar tão longe – onde, talvez, jamais teria pensado em estar – e é por essas e outras que viajar faz parte da minha vida. Emoções à parte, Bodø possui um interessante museu sobre os povos do norte, que também conta a história da cidade e o Museu da Aviação (em formato de asa de avião).

Para quem deseja visitar o norte da Noruega, Bodø é destino certo. É o fim da linha dos trens que partem de Oslo e o começo de uma grande aventura pelo Cabo Norte ou pelas Ilhas Lofoten –

assunto do próximo post!

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Nice is nice

Devo ser verdadeiro em meu relato? Não sei. Alguns dizem que apenas a sinceridade convence. Eu já penso quase inverso.  Às vezes é mais fácil convencer com uma mentira. Não que eu o faça. Enfim…

O que dizer sobre Nice? Foi curto o tempo por lá. Foi bem corrido. Chegamos em uma manhã, depois de uma noite pouco tranqüila no trem e iríamos embora no dia seguinte à tarde. Posso dizer seguramente que o que mais gostei de Nice foi a garçonete que me serviu café no restaurante da estação de trem. Provavelmente a mulher mais linda que eu já vi. Parecia a Liv Tyler, mas com o rosto um pouco mais bonito (!) .

Mas vamos ao que interessa. Nice é uma belíssima cidade, com um atrativo que sempre basta para fazer uma boa cidade. Uma belíssima praia. Água cristalina. Uma montanha na ponta que faz com que o litoral tenha uma vista magnífica a se admirar. Chegamos lá no topo pegando o tradicionalíssimo trenzinho de turismo que se encontra em toda cidade média. Grandes e belas casas.

Há quem diga que praia de pedras não é praia de verdade. Pois saibam. Lá é de pedra. Pedras redondas e pequenas, como em rios. Não chega a machucar, mas incomoda. Não é aquela areia fina como João Fernandes em Ilha Grande, ou macia como Ipanema, ou que voa com o vento como as Dunas da Lituânia (nem fui lá ainda pra dizer de verdade, mas um dia chego lá).

Uma coisa engraçada. Quando é meio-dia em Nice, não se ouvem sinos. Mas sim, um tiro de canhão.

As pessoas. O que se vê são jovens fazendo esportes solitários (corrida, patins). Muitas pessoas idosas (não consigo usar o termo “melhor idade” sem me achar demagogo). Pelo que entendi, muitos se aposentam, pegam suas economias e vão para lá curtir o belo visual e a boa vida.

Restaurantes, vários restaurantes e hotéis à beira mar. Muitos com uma lógica parecida com Miami. Oferecem um prato por um preço justo, mas cobram um absurdo por uma garrafinha d’água.

Visitamos um Hotel bem maluquinho, onde cada quarto tinha um conceito artístico. Dica: se for lá, procure não escolher o quarto minimalista. Em resumo, não tem muita coisa.

Bom, achei que não tinha muito pra dizer de Nice, até que foi. A fama da cidade, na minha opinião é maior. Eu voltaria lá, se tivesse a certeza de que aquela garçonete estivesse lá. Duvido.

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O fato! Na saída de Barcelona, roubaram meu passaporte.

Uma formação digna de um filme do Spike Lee. Não é o Plano Perfeito, mas é tipo a cena do Clokers.  Já haviam me avisado que em Barcelona deveria se tomar cuidado com os PickPockets, ladrões de  carteira. Atrasados para pegar o trem eu e Zizo corríamos para chegar na nossa plataforma. Ao chegar lá, o trem estava um pouco atrasado. Tempo para olhar em volta e não ver nada de muito diferente. Famílias com malas. Viajantes solitários. Aparentes trabalhadores, estudantes. Mas havia um grupo mais descolado. Um barbado de rasta. Uma gordinha meio punk. Nada que não seja muito normal numa cidade.

O trem chega. Eu e minhas malas, um mochilão e uma mala de rodas (sim, muita coisa, mas carregar um material de filmagem não é mole).  Assim que o trem  chegou fui em direção à porta de entrada, junto com a multidão. Do grupo de cinco despojados, três correram em disparada para entrar antes de todos. Desses, dois saíram pela porta seguinte do trem. Dentre eles, a gorda punk. Só percebi porque, subitamente, ela deu um berro. Muito alto! Quando olhei ela saiu andando, como se nada tivesse acontecido.

Atordoado, olhei pra frente novamente e eu já estava na frente da porta. Uma mulher jovem travava a entrada, como se estivesse falando com alguém ao lado da porta, mas não havia ninguém. Ela não carregava nenhuma mala. Eu, sem mãos livres passei a pedir : “con licensa”. Atrás de mim, uma outra mulher, com aparência muito simpática carregava lenços árabes, como pequenas tangas. E me empurrava em direção a entrada do trem. Incomodado, olhei pra trás e tentei dizer que a porta estava travada pela outra mulher. Virei pra frente e fui mais direto no pedido de licença. Levei mais dois empurrões. Quando a mulher de trás “desistiu de passar”, no mesmo momento, a da frente saiu andando na direção de outro vagão. Eu não entendendo muito o que havia acontecido, fui buscar um lugar vago para sentar.

Dois ou três pontos a frente, a mesma menina que travava a porta me pergunta se eu era o homem que carregava uma câmera. Espontaneamente respondi que sim. E ela me entregou minha carteira. Nada entendi e a princípio me vi agradecido por ter encontrado minha carteira. Ainda que sem dinheiro, restavam os cartões de crédito e os documentos. Ela estranhamente não deu nenhuma explicação e saiu vagão a fora.

Fiquei pensando por alguns momentos. Um ponto depois estávamos entrando na França, em direção a Nice. Dois policiais Franceses entraram no vagão e pediram meu passaporte. Foi então que me dei conta que não estava mais comigo. Eles compreenderam quando eu expliquei o que havia acontecido.

Nos próximos posts, Nice e a novela para ter um novo passaporte.

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O receio que virou paixão (Parte III)

Hellesylt possui uma beleza inversamente proporcional ao seu tamanho. O pequeno vilarejo proporciona um visual deslumbrante constituído por uma cachoeira, pelos fiordes e, no outono, uma quietude plena. Durante a minha rápida passagem pela cidade, tudo estava fechado – até a igreja. Os ferrys para Geiranger, infelizmente, também já estavam fora de funcionamento, como haviam me alertado em Stryn.

Após pernoitar em Hellesylt, segui de ônibus e balsa até Åndalsnes sendo que, mais uma vez, fui surpreendido pelas belas paisagens do interior norueguês. Vencida mais essa etapa da viagem, finalmente reencontraria as ferrovias que me levariam à Dombås.

Era fim de tarde e, apesar do frio, o sol permanecia firme em Dombås. Sem conseguir um mísero mapa ou informação na estação, fui à procura do hostel que havia contactado previamente. Em uma loja de equipamentos de esqui consegui as instruções que precisava – só não fui avisado que ficava tão longe. Caminhei cerca de uma hora, com o mochilão nas costas, por uma subida interminável. O caminho me levou até uma estação de esqui abandonada, ninguém atendia à porta ou aos meus chamados. Após insitir, percebi que era o local errado e eu não fazia a mínima ideia de como encontrar o hostel – tampouco os moradores das redondezas que, na maioria, eram trabalhadores de outras localidades que estavam terminando uma obra na rodovia.

Eu estava decidido a retornar para a estação e seguir até Trondheim – mais uma hora de caminhada com todo o peso nas costas e o desânimo de não ter encontrado o hostel –, quando fiz a última tentativa. Uma pequena descida de uns 50m de onde eu avistaria algumas casas escondidas atrás das árvores e do morro. Foi a decisão certa e os 50m mais valiosos do dia. Pude avistar a placa do hotel e então dar meus últimos passos até o “oásis”!

Fui muito bem recebido e acomodado em um quarto amplo e privativo. Mesmo exausto após a viagem, somada à longa e cansativa caminhada, o espírito viajante falou mais alto e ainda fui até o centro da cidade para conferir. O caminho entre casas típicas de montanha e a floresta lembravam cenas de filmes – aqueles em que, inesperadamente, aparece um urso! Felizmente não foi o caso. A essa hora já havia escurecido e o cheiro de lenha queimando nas lareiras dominava o ambiente – uma delícia!

Chegando ao “centro da cidade”, percebi que a rodovia que o corta também é a “avenida” principal de Dombås – onde se concentram algumas lojas, mercados e restaurantes. Pedestre por ali, aquela hora, só eu!

No dia seguinte, ao acordar, vi pela janela pequenos e esparços flocos de neve caindo. Aos poucos, a neve foi se intensificando até cobrir totalmente o chão e os telhados. A paisagem mudou completamente – e ficou ainda mais bonita.

Fui tomar o café da manhã e me deparei com salmão e caviar! O salão decorado com animais empalhados podia não ser de muito bom gosto, mas a comida estava ótima. Ainda debaixo de neve, fui bem satisfeito pegar meu trem para Trondheim – de onde eu seguiria para o Ártico.

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Lá dá pra Morar!

Barcelona – um lugar pra se viver

Eu tenho conhecido muita gente nessa viagem. E com toda a precisão que o meu método de pesquisa de boca a boca pode oferecer, digo aqui: Barcelona é a adorada de 8 entre dez viajantes. Se ela não oferece as esculturas e as marcas da história da Europa, se ela não oferece muita arte clássica, renascentista ou impressões medievais; ela oferece então algo muito perto do novo. Ela oferece vida. No meio de uma crise econômica que pulsa no pais e nos jovens que ocupam as praças públicas, Barcelona oferece muita energia.

E falando em arte, os vanguardistas fizeram a festa por ali.  O arquiteto Gaudí espalhou uma energia criativa pela cidade. Uma personalidade que combinou perfeitamente com os dias ensolarados e com a alma Catalã. É a idéia da construção de mosaicos em bancos, pilastras, esculturas, casas, palácios, tudo com cacos coloridos, muito bem escolhidos e reformatados. É pura inspiração. A visita ao Palácio da Música Catalã é um deslumbramento. Fiquei parado, encostado na esquina,  observando por uns dez minutos. Boquiaberto.

Lá começou minha busca pelos elefantes. Ganhei de presente um colar com uma face de um elefante. Diz-me o Indiano que o Elefante é um amuleto de felicidade. Então começo a pensar na possibilidade de ir até a Índia para ver um elefante. No mesmo dia, conheço um brasileiro que trabalha em Barcelona (turma do San Jordain). Seu plano: dirigir até a Índia em um furgão, apresentando uma mostra itinerante de curta-metragens brasileiros. Coincidência demais! Eu, desde que me conheço, não boto água no projeto dos outros. Muito pelo contrário. Nesse projeto estou dentro até que a furganeta pare.

A cidade não é muito grande, mas pra fazê-la a pé tem que ter disposição. A Rampla é a rua das compras e dos turistas. À noite vira a rua de boates para turistas e de prostitutas.  É uma rua agitada.

O Parque Guel é um arraso visual. Com todos os cacos que tem direito, cada peça remonta um quebra cabeças que  se encaixa. Eu não sei o que o Gaudí tava pensando, mas eu me vi dentro de algo sólido que parecia uma onda. Ou como se a água tivesse esculpido aquele espaço. É muito suave. Não tem pontas.

Tem um parque perto do Bairro Gótico que é demais, o Parque da Ciutadela. Pique-nique, criançada, malabarismo. Domingão de sol , vai todo mundo pra lá. Umas mesas de pingue-pongue perto de uma das entradas junta uma galera manera, cada um com sua raquete, para partidas sem compromisso. Nem contam ponto. É jogo por jogar.

Nesse parque há uma fonte que é uma das construções mais bonitas que vi. Talvez por todo o contexto. Muita água, esculturas belíssimas. E as escadas em arco circundam o chafariz que vai se tornando paisagem. Único. Ao lado uma estátua de um mamute em escala real. Ali, paradão na sombra. Dá pra imaginar tudo isso?

Tem o bairro Gótico que é uma atração a parte. Ruas estreitas. Você de uma janela quase cumprimenta seu vizinho da frente. Mas é ali que está concentrada a nova arte, as novas lojas, as novas ideias. Muita coisa bem acabada de pessoas que querem fazer suas coisas de forma diferente. Por exemplo. Fui numa lanchonete. Lá eles explicam que os hambúrgueres são feitos manualmente, que as batatas também são cortadas manualmente, que os ingredientes são frescos e preparados na hora. E que se demora um pouco mais por tudo isso: – Desculpem, mas estamos felizes e orgulhosos do nosso trabalho. Lojas de malas para bicicleta, para todas as idades. É a ideia do uso das bikes realmente como meio de transporte. Lojinha de cup cakes em que as confeiteiras são as 3 amigas, jovens, donas do lugar. E nas ruas, música. Musica boa!

Ainda tem praia! A noitada é ótima, e tem uma galera brasileira que comanda em várias boates. Turma do San Jordain, aquele abraço!

Porra, eu queria morar em Barcelona.  Posso escrever páginas e páginas. Mas isso é um blog. Tenho que me conter.

Pra finalizar, conversando com um senhor na Rampla, perguntei a ele sobre como ele via a crise. Conversamos sobre um pouco de tudo. Emprego. Jovens. Como ele vê a união Européia, e até sobre as alterações climáticas. Resumiu seu argumentos numa frase.

“ La tormenta Del Rio és sinal da ganância de los pescadores.”

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Amor por aventura

Se com Lucerna eu casaria por ser tão linda, eu teria Interlaken como amante.

Uma das minhas grandes paixões são os esportes de aventura, mas desde que me mudei para Berlim não tenho feito nada quanto a isso. Aí veio Interlaken.

Além de ser uma adorável cidade com vistas espetaculares, Interlaken é também a capital suíça da aventura. Em cada esquina uma loja de equipamentos, uma agência de sky diving, ski, ciclismo, trilhas, escalada e tudo mais que você possa imaginar! É o paraíso dos aventureiros e amantes da natureza com opções para o verão e inverno. Além disso a cidade ainda tem vários pubs jovens (minha segunda paixão) com gente do mundo todo disposta a trocar figurinhas de histórias de viagem e aventura. Quer coisa melhor?

Fui pedalar um dia e visitei outras três cidades em menos de três horas. No caminho fiz uma amiga aventureira também, uma vaca com sininho e tudo. Tendo crescido em uma fazenda, eu amo vacas e esta parecia uma vaca de desenho animado. Parei, fui falar com ela e ela me contou que também adora bicicletas.

À noite em Interlaken , antes do pub e depois da aventura, ainda dá para repor as energias com um fondue de queijo! Ai, cidade dos sonhos…

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O receio que virou paixão (Parte II)

Sem saber a distância e tampouco o nível de dificuldade, decidi subir a trilha para ver aquela brava queda d’água de perto. No começo foi fácil e eu até subestimei a trilha. Aos poucos a subida ficava mais íngreme, o caminho cheio de pedras escorregadias e o solo úmido o suficiente para eu atolar os pés algumas (ok, várias) vezes – sem contar os escorregões. Aquela trilha que parecia fácil, tornou-se interminável e eu já não sabia se o melhor seria continuar ou retornar – lembrando que estava escurecendo (e rápido).

A vontade pessoal de cumprir o desafio falou mais alto e arrisquei. Superação. Havia momentos em que eu nem escutava o estrondoso barulho da queda, de tantos zigue-zagues que a trilha fazia pela montanha, mas o visual da paisagem era compensador. Quando, finalmente, avistei a queda e comemorei, percebi que a trilha continuava e aquele ponto onde eu estava deveria ser 2/3 da trilha. E agora, continuar ou parar? Continuei.

A trilha ficou pior – bem pior. O frio estava impiedoso e eu estava derretendo de calor por dentro da minha jaqueta, mas o gosto de “conquistar a montanha” fez tudo valer a pena. Ao final da trilha, um abrigo de madeira e uma plaquinha com algumas assinaturas de outros viajantes que também encararam o desafio. Fiz questão de assinar e desenhar a bandeira do Brasil! Comemorei – sozinho e rapidamente, pois ainda teria que descer! Na descida todo cuidado é pouco, três leves quedas foram necessárias e suficientes para eu aprender que, talvez, descer seja mais perigoso que subir. De volta ao albergue, um bom banho para relaxar seguido de um lanchinho para revigorar.

Acordei na manhã seguinte (precisamente às 6h30), para seguir até Hellesylt. Primeiro, tomei um barco escolar até Sogndal. Nessa época o transporte entre os vilarejos é escasso e a solução foi embarcar de bicão junto com os estudantes! Após uma breve passagem pela cidade, segui de ônibus para Stryn. Outro pequeno vilarejo no qual, em cerca de 1h, pude dar uma volta de ponta-a-ponta. Quando, finalmente, chegou meu ônibus para Hellsylt, fui informado de que os ferries para Geiranger já não estavam mais em funcionamento – pronto, meu mundo desabou.

Todo o trabalho que tive desde Flåm era, simplesmente, para chegar à Geiranger e fazer o passeio de barco pelos famosos fiordes da região. Segui, indignado e triste, por uma boa parte da viagem. Porém, a paisagem era tão magnifíca que me fez desencanar. Chegando em Hellesylt, diante de sua beleza singular, constatei que tudo havia valido a pena e, aos poucos, eu ia me apaixonando pela Noruega! (CONTINUA)

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Um dia, um adeus!

Eu sei, andei ausente por um bom tempo, faz tempo que não posto nada, não dou as caras nem sinal de vida. Mas é que estive adiando esse post, que pode não ser meu último aqui no blog, mas é o que conta o fim da minha viagem.

Foram quase 60 dias na estrada, quase dois meses percorrendo Espanha, Portugal e uma pequena parte da França. Mas desde aquele 11 de setembro (não o do Bin Laden, 10 anos atrás – o meu, o de 2011 mesmo) eu sabia que mais cedo ou mais tarde, uma hora essa trip chegaria ao fim.

Mas essa trip como travel-writer valeu cada centímetro percorrido, cada minuto. Foram dezenas de albergues, pousadas e hotéis… lanchonetes, cafeterias e restaurantes… museus, igrejas, parques, praças, estádios.

Depois de Santiago de Compostela, ainda dei mais uma passada por terras portuguesas, onde comemorei meu aniversário. Os 30ão foram em alto estilo, em uma praia perto de Lisboa (Peniche), onde rolou campeonato mundial de surfe com direito a brasileiro campeão. Dali, parti para o Sul da Espanha. Ah, a tal Andaluzia é realmente incrível com seus cheiros, cores e sabores.

Mas uma boa descoberta foi logo depois: Valência! Cidade que sempre ouvi falar e sempre me despertou interesse em conhecer. A cidade vive um baita contraste, pois tem em seu centro histórico a maior parte das atrações, igrejas, praças seculares e as torres que cercam a cidade. Mas um pouco mais afastada está a Ciudad de las Artes y las Ciencias. Um magnânimo complexo cultural, artístico e até esportivo. O lugar é moderníssimo, o Museu das Ciências é fantástico e a gente pode experimentar uma série de inventos, como se estivéssemos em uma daquelas feiras de ciências dos tempos de colégio. E tem também um cinema gigantesco e um aquário maior ainda, com tubarões, baleias, tartarugas, pinguins e mais um sem número de animais marinhos e espaços que nos toma boa parte do dia. Aliás, perdi um dia inteiro na Ciudad de las Artes y las Ciencias (perdi nada, só ganhei visitando esse lugar).

Para a trip como travel-writer, o destino final foi Valência, mas segui viagem rumo a Alicante, para acompanhar a largada da Volvo Ocean Race, uma competição de veleiros que percorre o mundo inteiro, a Regata de Volta ao Mundo.

Em breve postarei fotos….

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Paris Parte 2 : Ok, a cidade é apaixonante.

E que comece a relação. É como uma paixão. Você está caminhando, buscando não sabe exatamente o quê. Em um momento vira uma esquina, o sol bate mais forte nos seus olhos , as folhas do outono caem se juntando às outras no chão. Uma música toca distante, alto o bastante para te fazer sorrir. Pronto. Está apaixonado por Paris.

Lá há tantos apaixonados que se vestem com beleza e despojamento para ir a padaria. Fazem pose esperando na fila. Olham ao longe como se estivessem posando para pintores. Queria eu pintar aquelas peças.

Mas sim. Caminhei no rio Sena . Ouvi jazz na ponte. Tomei sol na beira do rio. Sim, fui ao Louvre. Sim. Não vi tudo. Sim, estava cheio. O arco do triunfo estava lá. A torre Eiffel também.  Melhores são os casos que acontecem por acaso. Nos jardins do Louvre tive uma escultura dançado para minha câmera. Pura apreciação.

Mas se há algo que não se pode deixar de ir é ao Centro Georges Pompidou. O contraste é pela informalidade. Uma construção diferente, com tubos. Uma escada rolante que corta a diagonal do prédio de ponta a ponta.  Uma vista estupenda. Obras de muitos artistas famosos  em exposição. Um restaurante muito chique, no qual ao tive o prazer de provar a comida. E um sentimento engraçado de estar numa praça popular, num pátio onde as pessoas se agrupam, sentam e deitam no chão para conversar, beber e tudo mais.

Dois dias foi muito pouco tempo para conhecer bem essa cidade. Paixão é assim. A gente não precisa nem conhecer direito e já está apaixonado.

Ps- Seguem fotos e videos. Uma forma diferente de ver as fotos.

 

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