Orloj: o relógio astronômico de Praga

Detalhes do Orloj | Foto por Zizo Asnis

Detalhes do Orloj | Foto por Zizo Asnis

 

Por Pedro Henrique Ferreira

 

Os antigos chineses, babilônios, assírios, egípcios e gregos já estudavam a influência dos astros e do tempo sobre o homem. Sabiam que era extremamente importante ter mais conhecimento sobre essas influências, pois era necessário para sobrevivência dos povos – assim melhorariam sua colheita, venceriam marés e entenderiam mais seus próprios comportamentos.

 

A partir daí nasceram os grandes mistérios da vida e, o com o desenvolvimento das ciências na Idade Média, a vontade do homem de ter o domínio do que estava ao seu redor se intensificou ainda mais, e assim criou o relógio para medir racionalmente o que o rodeava.

 

E foi nesta concepção que o Orloj (relógio em tcheco) foi criado pelo relojoeiro Nicolás de Kadan e o professor de matemática e astronomia Jan Sindel, em 1410. O grande relógio astronômico possui mais de 600 anos, fica na cidade velha de Praga, e é simplesmente uma atração tão curiosa e incrível aos nossos olhos.

 

Há outros relógios astronômicos espalhados pelo mundo no Reino Unido, Itália, França, Suécia e Itália; mas não tão especiais como este. É por ele que uma multidão, sobretudo as crianças, aguardam ansiosamente esperando bater a hora em ponto para começar o show à parte: um mini teatrinho muito interessante que se mistura com símbolos das esculturas e dos adereços, dando mais vida ao espetáculo.

 

Vale muito a pena assistir ao show do relógio astronômico, sem contar com aquele ar de se sentir em plena Idade Média, com os encantos da cidade velha ao redor – dá um toque especial ao clima do espetáculo que vai das 9h às 21h.

 

Multidão ao redor do Orloj no centro de Praga | Foto por Zizo Asnis

Multidão ao redor do Orloj no centro de Praga | Foto por Zizo Asnis

 

O Orloj foi reparado algumas vezes e, logo depois, acrescentaram o calendário, os apóstolos e as esculturas góticas na fachada. Também teve sua estrutura quase toda danificada pelas invasões alemãs na Segunda Guerra Mundial.  Diz a lenda que o maestro Hanus – que construiu a parte mecânica – foi cegado para que não fizesse o mesmo relógio em outro lugar.

 

Vamos tentar entender as principais partes do relógio, a riqueza de sua simbologia e alguns de seus significados. O Orloj é dividido em três partes:

 

Parte superior

Há um galo que fica bem no alto , na posição superior a tudo,  e representa a vigilância, a chegada do dia e a esperança do que vem; a escultura de um arcanjo no meio e acima do relógio, situado entre as portas, representa o guardião da cidade, protetor, mensageiro divino e conquistador dos dragões. E há os doze apóstolos que desfilam nas duas janelinhas. Há outras pequenas esculturas de símbolos mitológicos feitas em pedra e misturadas ao redor, como dragão, gato, cobra e algumas figuras diabólicas, representando os anseios do homem da época.

 

Parte central

É o relógio propriamente dito. Nele há diversas esferas, como a menor, localizada ao centro, que contém um mapa-múndi; em volta, o céu, na outra, o zodíaco; já a maior esfera, o relógio em números romanos e o outro marcando a antiga hora em Praga. E nos ponteiros há um sol, e ao seu contrário, a lua. Há em tudo uma significação que se realça mais com a posição do ponteiro. O relógio marca quatro tipo de horas: a babilônica, a antiga hora tcheca, a hora alemã ou civil e a hora astral.

 

Ao lado há quatro bonecos com os pecados capitais e tais alegorias. Ao lado esquerdo, uma escultura de um boneco com espelho representa a vaidade. Uma escultura de um agiota com saco de ouro na mão, representa a avareza e a usura. Do lado direito: uma caveira com uma ampulheta na mão que representa a morte, e ao lado, um turco com um bandolim, representando a luxúria.

 

Parte inferior

O calendário com os signos do zodíaco, e em volta os meses do ano e o que eles representavam em pinturas e suas alegorias. Contém também as esculturas de quatro bonecos enfeitados: do lado direito, o filósofo e o Arcanjo Miguel; do lado esquerdo, um cronista e um astrônomo que eram figuras que regiam a cidade naquela época.