Montenegro: o novo país favorito dos viajantes

Durmitor National Park | Foto por Fabian Julius

Durmitor National Park | Foto por Fabian Julius

 

Por Sabrina Sasaki

 

Um dos mais novos países independentes do mundo, Montenegro fez parte da chamada Iugoslávia. Seu nome, de origem latina (Montanha Negra), em servo-croata Crna Gora ( Црна Гора, no alfabeto cirílico), se refere aos 2.000 metros de montanhas que incluem algumas das áreas mais acidentadas na Europa.

 

Pelas costas pitorescas, regiões montanhosas exuberantes e por excelente posição estratégica, é um destino procurado pelos turistas que buscam diversão e descanso mais baratos no Leste Europeu, longe das multidões que invadem o litoral da Croácia.

 

As cidades de Kotor, Cattaro e a histórica baía de Budva são os destaques do país na região da costa norte. Na região da costa sul, UlcinjBar e o Lago Escútare. Na região central, o Monastério de Ostrog, a cidade histórica de Cetinje e o monte Lovćen, uma formidável montanha. E, na região norte, dias de camping e trilhas são garantia de diversão no Durmitor National Park e na floresta exuberante de Biogradska Gora.

 

Sobre o destino

Montenegro: República parlamentarista

 

Capital: Podgorica

 

Demais cidades: Budva, Kotor e Ulcinj, Nikšić, Pljevlja, Bijelo Polje, Cetinje, Herceg Novi e Berane

 

Idioma: sérvio ijekavian (variação montenegrina do servo-croata). Alemão é a língua turística mais utilizada, e em alguns lugares se fala inglês ou italiano. Nomes e locais também são escritos no alfabeto latino.

 

Moeda: Euro (pretende entrar na União Europeia).

 

Religião: 78% cristãos, em sua maioria ortodoxos (74%) e católicos (4%); muçulmanos são minoria (18%).

 

População: 650,036 habitantes (baixa densidade populacional).

 

Grupos étnicos: montenegrinos 45%; sérvios 28,7%; bósnios, 8,7%; albaneses 4,9%; romani (ciganos) 1%; croatas 1%; outros 10.7%.

 

Visto: brasileiros não precisam de visto e podem permanecer, como turistas, por até 90 dias no país.

 

Entrada do Biodgraska Gora National Park | Foto por Fabian Julius

Entrada do Biodgraska Gora National Park | Foto por Fabian Julius

 

Clima: temperado continental, com influência mediterrânea, o que significa verões quentes e invernos frios, com neve de dezembro até março. Julho e agosto são os meses mais quentes, quando chega a 29ºC, já, no inverno, a temperatura varia de -7 °C a 2˚C.

 

Viajantes femininas solo: país tranquilo e seguro para mulheres sozinhas. Estrangeiras não costumam ter problemas.

 

Pontos turísticos: Do litoral do Adriático, cenário de Game of Thrones, a grandes parques nacionais com canyons, montanhas, cachoeiras, campos e vales, existem atrações para todos os gostos e bolsos.

 

Motivos para conhecer Montenegro

Natureza, natureza: uma das mais belas e intocadas da Europa, além de Montenegro ser um país incrivelmente limpo e organizado para o padrão do Leste Europeu.

 

Preço: um pouco mais caro que outros locais da região, mas ainda assim mais barato que a Croácia e a Europa Ocidental.

 

Culinária: No litoral, culinária típica do Adriático com muitos peixes, frutos do mar e massas. Nas montanhas, as tradicionais porções fartas de carne seca e de queijos, acompanhadas de pão pitta caseiro, comum nos Bálcãs.

 

Biogradska Gora | Foto por Fabian Julius

Biogradska Gora | Foto por Fabian Julius

 

O que visitar em Montenegro

  1. Parques Nacionais: Durmitor, 390 km²; Lovćen, 64 km²; Biogradska Gora, 54 km²; Lago Scutari, 370 km².
  2. Patrimônios Mundiais da Unesco: Canyon do Rio Tara e Durmitor, cidade antiga de Kotor.

 

Como chegar a Montenegro

Não existem voos diretos do Brasil para Montenegro. De outras cidades europeias, é possível seguir por vias terrestres (ônibus, carro ou trem), de onde se tem mais opções, ou então via marítima, bem mais caro. Os preços tendem a aumentar bastante com a proximidade do verão e  a quantidade de turistas italianos que invadem o país. Reserve com antecedência para evitar transtornos.

 

Via aérea: há opções de voos para a capital, Podgorica, e para Tivat, por companhias que operam localmente na rota, como Austrian Airlines, Adria Arlines, AirSerbia, BH Airlines, Croatia Airlines, Lufthansa, Montenegro Airlines, Turkish Airlines.

 

Via marítima: pela Itália (mar Adriático), travessias para Bar e Kotor, durante o verão. Azzurra Lines liga Kotor a Bari, Italia (€65, 9h, de julho a agosto), Montenegro Line de Bar até Bari (€55, 9h) Ancona, na Itália (€66, 11h).

 

A chegada em Montenegro via Bósnia parece um cenário de filme | Foto por Fabian Julius

A chegada em Montenegro via Bósnia parece um cenário de filme | Foto por Fabian Julius

 

Via terrestre: A região do Bálcãs tem sempre vistorias e/ou filas nas fronteiras das rodovias. Atrasos são comuns na região, por isso tenha um intervalo seguro entre as conexões.

 

Dica: confirme quais estradas têm acordos internacionais para evitar ter que mudar sua rota. Não confie apenas nos mapas locais, que não deixam claras as travessias turísticas permitidas entre as fronteiras.

 

  • Albânia: as principais rotas são via Shkodra para Ulcinj (Sukobin) e Podgorica.
  • Bósnia e Herzegovina: os postos de controle estão em Sitnica, Dolovi e Šćepan Polje.
  • Croácia: controle na rodovia Adriático, entre Herceg Novi e Dubrovnik, garante filas e atrasos no verão. A distância mais longa, mas muitas vezes mais rápida é Kobila, na ponta da península de Prevlaka.
  • Kosovo: a principal estrada fica entre Rozaje/Berane e Peć, Kosovo. Um táxi sai em torno de €15 e leva 2 horas entre Rozaje e Péc/Peja.
  • Sérvia: O cruzamento mais movimentado é o norte de Bijelo Polje perto de Dobrakovo, seguido pelo checkpoint nordeste de Rozaje e outro a leste de Pljevlja.

 

Carros e motos: para evitar transtornos, tenha todos os documentos em ordem – o registro do veículo, com detalhes do proprietário e uma apólice de seguro válida.

 

Além disso, existe um imposto ecológico em todos os veículos, cujos recursos são utilizados para a implementação de projetos de preservação e proteção ambiental. Estrangeiros devem pagar o imposto ao entrarem de carro no território. As taxas variam em torno de €10 (para a maioria dos carros com uma capacidade de até oito passageiros). A etiqueta obtida mediante o pagamento do imposto é válida por um ano e deve ser exibida no interior do pára-brisas, no canto superior direito.

 

A partir dos principais postos de fronteira com a Albânia, Croácia, Kosovo e Sérvia, não será preciso mais de 25 km para encontrar um posto de gasolina ou assistência. A partir dos cruzamentos bósnios, não espere encontrar nada antes de Nikšić (essa fronteira é a mais deserta e também a mais bonita, por conservar uma natureza intocada espetacular).

 

Trem: os passes de trem não compensam na região, porque além de mais caros, as linhas não atendem grande parte dos destinos.

 

Caronas: são comuns na região, porém existe ainda certo preconceito local com relação a países vizinhos, resquício da guerra e diferenças étnicas. Mas a hospitalidade e simpatia dos montenegrinos pode surpreender. Experimente citar de onde você veio ou viajar com sua camiseta da seleção brasileira.

 

História de Montenegro

Montenegro costumava ter certa autonomia com relação ao grande poder hegemônico que o Império Otomano exercia na Península dos Balcãs. Sua independência foi formalmente reconhecida pelo Tratado de Berlim em 1878, mas durou pouco, já que com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, seu território foi integrado ao Reino da Sérvia, tornando-se a partir de 1929 parte da Iugoslávia.

 

Com a dissolução desta, no início da década de 90, as demais repúblicas tornaram-se independentes. Somente Sérvia e Montenegro mantiveram sua frágil unidade política, a chamada Nova República Federal da Iugoslávia, governada pelo ditador Slobodan Milošević, com predomínio dos interesses sérvios, em detrimento das minorias.

 

Em 3 de junho de 2006, o parlamento montenegrino declarou oficialmente a independência do novo país, mas só obteve aceitação formal da ONU no dia 28 de junho do mesmo ano.

 

Durante o domínio iugoslavo, a região experimentou uma rápida industrialização e urbanização, apoiadas na geração de energia hidrelétrica, mineração (alumínio, carvão etc.), indústria florestal e indústria têxtil. Hoje, o turismo é tido como principal atividade econômica e garante uma experiência surpreendente.

 

Se estiver de passagem pelos Balcãs, entre Albânia, Bósnia e Croácia, aproveite para se perder no tempo e desfrutar um pouco desse paraíso natural no meio da Europa.