Liverpool (quase) além dos Beatles

Albert Docks, a região portuária de Liverpool, repleta de atrações | Foto por José Jayme

Albert Docks, a região portuária de Liverpool, repleta de atrações | Foto por José Jayme

 

Por José Jayme

 

Sim, Beatles!

 

Essa é a primeira coisa que vem à cabeça quando se fala em Liverpool. Difícil não associar a cidade aos rapazes que mudaram a forma de fazer música. O esforço, porém, é válido: existe muita coisa para se ver na cidade portuária e que acaba ficando escondida devido à sua evidência musical. A propósito, a cidade é considerada capital europeia da cultura. Então, beatlemaníaco ou não, música boa será algo que você encontrará facilmente por aqui, além de diversas outras atrações.

 

A day in the Life

Dá para fazer uma viagem do tipo bate-e-volta de Londres a Liverpool (até 3h de viagem de trem), e conhecer a cidade em 1 dia. Mas o ideal para conhecer melhor e curtir a noite na cidade é ir cedo num dia e retornar no final do outro. Os pubs são animados e muitos têm karaokê e música ao vivo, inclusive o Cavern Club, de que falarei mais adiante. A Liverpool Lime Street, estação central da cidade, por onde chegam os trens de Londres, fica perto dos principais pontos turísticos.

 

Liverpool Lime Street, a estação de trem da cidade | Foto por José Jayme

Liverpool Lime Street, a estação central de trem da cidade | Foto por José Jayme

 

Próximo à estação há o St. George Hall, um prédio cuja imponência proposital impressiona. Quando se pensou em construí-lo, no auge da Revolução Industrial (a propósito, Liverpool foi o berço da Revolução), a intenção era mesmo de impactar os que chegavam à cidade. Sugiro que você esteja na frente do prédio, ao pé da estátua de St. George no cavalo, às 11h da manhã para um free walking tour que recomendo muito.

 

Ponto de encontro para o walking tour por Liverpool | Foto por José Jayme

Ponto de encontro para o walking tour por Liverpool | Foto por José Jayme

 

Mas se preferir fazê-lo por conta própria, siga pela Vitoria Street ou contorne as ruas centrais da cidade para apreciar o comércio. Você chegará a Albert Docks, complexo portuário restaurado que acomoda vários restaurantes, lojas e diversos equipamentos culturais.

 

Dentre eles, o The Beatles Story (contando a história da banda), o Tate Liverpool (filial da galeria londrina de mesmo nome), Merseyside Maritime Museum (retrata a importância do porto para a cidade, e possui uma exposição sobre o Titanic e sua estreita relação com a cidade) e o International Slavery Museum (por fazer parte da principal rota de tráfico de escravos do planeta, a cidade se sentiu na responsabilidade de retratar essa fase obscura da história).

 

Detalhe no International Slavery Museum | Foto por José Jayme

Detalhe no International Slavery Museum | Foto por José Jayme

 

Ainda no entorno você encontrará o Museu de Liverpool, que conta a história da cidade e de seus habitantes, ilustres ou não, incluindo Paul e seus amigos. Uma curiosidade é que em 2011, o prédio chegou à final do Carbuncle Cup, prêmio dado aos prédios de destaque arquitetônico na Grã-Bretanha. O detalhe é que o “destaque” se refere ao gosto duvidoso dos arquitetos que o criaram, ou seja, o museu quase foi eleito o prédio mais feio daquele ano.

 

Saindo do complexo, caminhando uns 2km na direção leste fica a Catedral Anglicana de Liverpool (St James Mt, Liverpool L1 7AZ), maior prédio anglicano da Grã-Bretanha e 5° do mundo. Mesmo aos menos religiosos vale a visita para admirar a imponência do prédio. A entrada é gratuita, mas o acesso à torre é pago.

 

Catedral Liverpool | Foto por José Jayme

Catedral Anglicana de Liverpool | Foto por José Jayme

 

Detalhes da fachada da mesma catedral | Foto por José Jayme

Detalhes da fachada da mesma catedral | Foto por José Jayme

 

Let it be

Para terminar a tarde, vale retornar ao St. George Hall e buscar logo à frente do mesmo a Biblioteca Municipal de Liverpool, um prédio belíssimo com interior contemporâneo, de fazer suspirar qualquer fã de literatura. Mas não foi pelos livros que eu recomendei vir aqui: dirija-se ao terraço para ver o pôr do sol com uma bela vista da cidade.

 

Pôr do sol visto da Biblioteca de Liverpool | Foto por José Jayme

Pôr do sol visto da Biblioteca Municipal de Liverpool | Foto por José Jayme

 

No começo da noite, volte para a área central e busque pelo endereço 10, Matters Street. Essa é a melhor hora para ir ao Cavern Club! Para quem não é beatlemaníaco, uma explicação: no Cavern os Beatles fizeram centenas de shows desde a formação da banda.

 

Pela bagatela de £2 você conhecerá um dos maiores ícones da história dos Beatles, com direito a apresentação de bandas de hora em hora. No repertório predominam os quatro garotos de Liverpool. Há ainda uma lojinha de suvenires do lugar, e a cerveja rola solta a preços iguais aos de qualquer pub.

 

The Cavern Club, local de diversos shows dos Beatles | Foto por José Jayme

The Cavern Club, local de diversos shows dos Beatles | Foto por José Jayme

 

Se quiser dar sequência na história da banda, aproveite o local para comprar para o dia seguinte um ingresso para o passeio oficial da banda, o Magical Mystery Tour (£16,95), também vendido nos hotéis. Além de conhecer lugares onde eles conviveram, o tour passa em locais que inspiraram canções como Penny Lane e Strawberry Field.

 

Logo, nada melhor do que beber seu pint onde os caras começaram a tocar, agendar um tour para o dia seguinte e brindar seu começo de noite. Sim, começo de noite porque com tantas opções noturnas legais, duvido que ela termine por aqui. Disposição? Arrume! Ou vai esperar o sonho acabar?

 

O Cavern Club tem shows de hora em hora | Foto por José Jayme

O Cavern Club tem shows de hora em hora | Foto por José Jayme

 


 CURIOSIDADE: A cidade que não perdoa

O futebol inglês sofreu nas mãos de torcedores que levavam violência aos estádios: os hoolingans. Um triste episódio ocorrido com o time da cidade, porém, foi atribuído de forma errônea aos hoolingans e ficou conhecido como o Desastre de Hillsborough.

 

A péssima estrutura e a superlotação do estádio, somadas ao despreparo da polícia, culminaram num tumulto em que 96 torcedores morreram e 700 ficaram feridos.

 

O tabloide The Sun culpou os torcedores pelo desastre e os classificou como bêbados e violentos. A história estigmatizou Liverpool, até que as investigações provassem o contrário. Os cidadãos ficaram tão ofendidos que, mesmo 23 anos após o ocorrido e um pedido formal de desculpas, o tabloide é boicotado na cidade até hoje.