O Jalapão ama você: passeio pelo Cerrado no Tocantins

Dunas do Jalapão

Parte da surreal paisagem do Jalapão | Daniel Carnielli

 

Por Daniel Carnielli

 

“Visitante, seja bem-vindo. Sua presença é um prazer. Nós estamos com alegria, o Jalapão ama você!” com esta cantiga somos recebidos pelos moradores do vilarejo de Mumbuca, próximo a cidade de Mateiros, que, junto a São Felix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins, são as três cidades a oferecer opções de hospedagem, alimentação, guias e combustível para os turistas.

 

Quando falamos de Jalapão, na verdade nos referimos à região do Parque Estadual do Jalapão e de seu entorno. Fundado em 2001, o parque localizado no leste do Tocantins, quase na divisa com o Maranhão, resguarda uma região quente, árida, com clima de deserto, porém esverdeada pelo cerrado quase sempre muito rasteiro. Sombras são raras, mas neste deserto verde elas ocultam os oásis de água pura, mornas e cristalinas escondidas em suas entranhas.

 

Cachoeira Velha | Daniel Carnielli

Impressionantes quedas d’água na Cachoeira da Velha | Daniel Carnielli

 

O estado do Tocantins também é recente. Fundado em 1988, a partir da mudança na Constituição, recebeu o nome “Tocantins”, que, em tupi, significa “bico de tucano”, devido ao formato da confluência do Rio Araguaia e do Rio Tocantins, dois importantes afluentes da bacia hidrográfica nacional.

 

Algumas das incríveis nascentes na região são conhecidas como Fervedouro. Ao contrário de outros nomes que raramente entendemos, chamar de “fervedouro” faz muito sentido para esta peculiar formação. A água que brota no fundo é tão intensa que não nos permite afundar.

 

Água e uma fina e bela areia rosada borbulhantes, que de fora dão a impressão de que vão nos engolir, mas ao entrarmos, nos presenteiam com a deliciosa sensação de flutuação. A água, não teria como ser mais pura. Seus tons esverdeados, cristalinos, são como um sorriso de bebê que acabou de acordar. Simplesmente brilham.

 

Fervedouro: as piscinas naturais do Jalapão | Daniel Carnielli

Fervedouro: convite para um banho no Jalapão | Daniel Carnielli

 

Como dizem na região, “o Jalapão é bruto!” E é mesmo! Em vários trechos somente veículos 4×4 conseguem passar. Longas estradas de terra ou areia tornam o acesso de veículo comum muito difícil. Combustível? Custa quase o dobro do valor de mercado e é encontrado só nas cidades – e quando a entrega é realizada. Somente em alguns pontos há rede de celular e são raros os pontos de internet.

 

Com 7.200 habitantes, a maior cidade do entorno é Ponte Alta do Tocantins; Mateiros com somente 2.200 moradores é a segunda maior. São Félix do Tocantins, com 1.400 habitantes, é a menor, já o vilarejo de Mumbuca tem quase 1.000, considerando as áreas agrícolas, mas pertence ao município de Mateiros.

 

E o que encontramos no Jalapão?

Paisagens de tirar o fôlego, nascentes de água pura em formato de fervedouro, cachoeiras de todos os tamanhos com água quente. Encontramos também um povo humilde e atencioso, artesanato de capim dourado e muita diversão.

 

Saiba mais:

 

As paisagens das Dunas, que ficam próximas a Serra do Espírito Santo, não se repetem em outras regiões, assim como a Cachoeira da Velha, no Rio Novo, duas atrações turísticas imperdíveis. É preciso planejar a ida para o Jalapão, porque não é um local com infraestrutura pronta para qualquer forma de turismo. Na dúvida, lembre-se “o Japalão é bruto, mas os brutos também amam”.

 

Artesanato do Jalapão | Daniel Carnielli

Artesanato de capim, preciosidade do Jalapão | Daniel Carnielli

 

Jalapão - Dunas 03

As impecáveis Dunas próximas à Serra do Espírito Santo | Daniel Carnielli

 

Jalapão - Cachoeira Formiga 02

Cachoeira do Formiga | Daniel Carnielli

 

Quando visitar o Jalapão?

Céu azul e Cachoeira da Velha | Daniel Carnielli

Rio Novo e Cachoeira da Velha | Daniel Carnielli

 

Ao contrário de vários outros destinos, qualquer época do ano é uma boa época para visitar o Jalapão. Dificilmente as pessoas imaginam o Jalapão como ele realmente é. Eu mesmo imaginava um grande deserto com oásis espalhados, mas não, pense numa vasta região de cerrado, com longas estradas de terra e areia que conectam pequenos e simplórios vilarejos. Tudo muito longe.

 

Como chegar no Jalapão?

As estradas do Jalapão: chão batido e quilômetros de distância de um lugar ao outro | Daniel Carnielli

As estradas do Jalapão: chão batido e quilômetros separando um lugar do outro | Daniel Carnielli

 

Para visitar, uma semana é o suficiente e é possível encontrar algumas agências de turismo especializado na região. Recomendo, uma vez que não estar preparado para o terreno ou para a escassez pode estragar sua programação. Ir de carro é sim uma opção, mas somente se o veículo for um 4×4 e com boa autonomia. Não faltarão oportunidades para desfrutar dos recursos destes veículos.

 

A cidade com aeroporto mais próximo é também a capital do Tocantins, Palmas. As pousadas do Jalapão costumam oferecer transporte de Palmas até a pousada. Ônibus? Realmente não vi e nem imagino haver. Algumas pessoas vão de avião para Brasília, que possui maior frequência de voos, e, lá, alugam um veículo 4×4, neste caso desfrutando de 700km de asfalto e quase 200km de terra e areia.

 

Veículo 4x4 é preciso | Daniel Carnielli

Veículo 4×4 é preciso | Daniel Carnielli

 

No Jalapão chega-se de carro até a poucos metros dos principais atrativos, então não é necessário grande preparo físico, exceto pelo calor desgastante. Nas poucas pousadas das cidades é fácil encontrar guias, mas, se não estiver motorizado, prepare o cofrinho. Um passeio com guia usando o veículo dele pode custar bem acima do valor da diária. Há também opções de locação de veículo e quadriciclo lá, mas estes não possuem autonomia para alguns dos atrativos.

 

Ah, importante! Leve dinheiro. Cartões não servem para muita coisa por aqui.

 

Referências:
Página Oficial do Turismo