Balos e Elafonissi: os encantos de Creta

Vista de Balos pelo acesso terrestre | Foto por Sarita Reed

Banco de areia que forma as lagoas de Balos | Foto por Sarita Reed

 

Por Vinicius Henrique Fontana

 

A Grécia insular é uma coleção de pequenos países dentro de um país. O grego que vive nas ilhas aparenta ser o típico mediterrâneo, aquele que vemos nos filmes. E Creta é um bom exemplo, sintético eu diria, do que é esse lugar. Consiste numa grande porção de terra (segunda maior ilha grega), alongada, estirada no grande mar, marcada por cordilheiras com picos a alcançar quase 2.500m de altitude. O clima é mediterrâneo, com verões muito quentes e invernos chuvosos e frios.

 

Creta é uma ilha de grande interesse histórico-cultural e natural. É tida pela mitologia como a ilha onde nasceu Zeus e onde habitava o Minotauro. Diversos sítios arqueológicos estão espalhados pelo seu perímetro – entre os de maior destaque estão os de Cnossos (onde estaria o labirinto do Minotauro) e Gortina. A principal cidade é Heraclião, com aproximadamente 150 mil habitantes, onde também se situa o mais importante museu da ilha.

 

Entretanto, como ilha é muito grande e, para visitá-la bem, creio que seria necessário de duas a três semanas. Permaneci no lado oeste, pois lá estavam os locais que mais me interessavam: as praias de Balos e Elafonissi, duas das praias mais famosas da Europa, que proporcionam aos visitantes belezas naturais singulares.

 

Onde ficam

 

Vista de Balos pelo acesso terrestre | Foto por Sarita Reed

Vista de Balos pelo acesso terrestre | Foto por Sarita Reed

 

Para ir a esses destinos fantásticos, o melhor local para tomar como base é a cidade de Chania. É um pequeno porto de origem árabe, mas que foi emancipado pelos venezianos no século XIII, habitado atualmente por aproximadamente 50 mil pessoas. Balos e Elafonissi estão a oeste da cidade. Também há a opção de se hospedar na cidade de Kissamos (ou Kastelli), mais próxima de ambas as praias, porém sem atrativos turísticos e com menor infraestrutura que Chania.

 

Balos (ou Mpalos) fica a cerca de 50km de Chania (15km de Kissamos). Situa-se em uma região montanhosa, no lado oeste da Baía de Kissamos. A praia se formou entre a orla da ilha e uma grande rocha, o que a estruturou como duas amplas lagoas divididas por um banco de areia. Devido à pouca profundidade, a água permanece aquecida e é muito translúcida. O acesso é bastante difícil, podendo ser feito por terra (via uma estrada não asfaltada com cerca de 10km) ou mar.

 

A água transparente é uma das características marcantes da praia de Balos | Foto por Sarita Reed

A água transparente é uma das características marcantes da praia de Balos | Foto por Sarita Reed

 

Elafonissi é mais afastada, distante 40km de Kissamos e 70km de Chania, porém seu acesso é facilitado por rodovias asfaltadas. Também possui águas quentes e rasas em função de um banco de areia que se formou frente à praia. Ao contrário de Balos, Elafonisi não possui lagoas bem definidas: elas variam conforme a maré. No entanto, sempre há bons lugares onde é possível se banhar. A praia conta com um amplo estacionamento gratuito e alguns (poucos) apartamentos que podem ser alugados em suas proximidades.

 

Uma das várias lagoas de Elafonissi| Foto por Vinícius Henrique Fontana

Uma das várias lagoas de Elafonissi | Foto por Vinícius Henrique Fontana

 

Como chegar

 

Há duas maneiras de chegar à ilha de Creta: por avião (é servida por várias companhias, inclusive as low cost) ou por barco (de Atenas a Chania a viagem dura cerca de 10h). O aeroporto de Chania não é muito grande, mas está sendo ampliado.

 

A cidade possui um bom número de hospedagens, inclusive em bairros próximos ao centro (destaco as áreas de Agia Marina e Agia Apostoli, que contam com praias bonitas e uma boa infraestrutura).

 

A maré alterna as lagoas em Elafonissi: às vezes até invade o espaço das cadeiras | Foto por Vinícius Henrique Fontana

A maré alterna as lagoas em Elafonissi: às vezes até invade o espaço das cadeiras | Foto por Vinícius Henrique Fontana

 

Recomendaria a quem deseja circular pela ilha alugar um carro. Há locais que não costumam ser muito caros e é possível negociar a custos e condições ainda melhores. Não se preocupem quanto à carteira de motorista — a brasileira é válida.

 

Caso não haja tal possibilidade, é possível ir às praias de ônibus (não há ferrovias). Assim sendo, é preferível permanecer na área central da cidade de Chania, pois de lá partem os coletivos.

 

A passagem de Chania a Balos custa cerca de €6 (somente ida) e de Chania a Elafonissi €10 (somente ida). Mais informações podem ser encontradas no site da companhia Ktel.

 

Para Balos, é possível pegar um barco com partida do porto de Kissamos. A passagem custa cerca de €25 (ida e volta) e o serviço tem frequência de saída maior em relação ao ônibus. Como Balos fica em uma área de proteção ambiental, é necessário o pagamento de uma pequena taxa (€2) para acessá-la via automóvel.

 

Prepare-se: a estrada de terra é bastante difícil, deve-se prosseguir com cautela e leva cerca de 40 minutos para chegar até o estacionamento. Estacionado o carro, tome fôlego, já que são necessários mais 40 minutos de caminhada para se alcançar a praia. O ponto positivo é a beleza do trajeto e a maravilhosa visão que se tem das lagoas pelo alto.

 

Elafonissi tem seu acesso facilitado pela estrada asfáltica, acrescida de uma bela paisagem entre os vales e das pequenas vilas rurais que subsistem na ilha.

 

O que fazer

 

Pequenas vielas labirínticas compõem o centro histórico de Chania | Foto por Henrique Vinícius Fontana

Pequenas vielas labirínticas compõem o centro histórico de Chania | Foto por Henrique Vinícius Fontana

 

Como toda a praia, há várias alternativas para dispender o dia todo: se bronzear, caminhar, nadar, ler ou somente curtir a paisagem. Contudo, certas restrições devem ser observadas: Balos, como área protegida, não permite que se levem guarda-sol e cadeiras, sequer jogos de bola podem ser praticados. É possível alugar tais equipamentos no local por €6. Também não há muitos pontos onde se possa comprar comida, portanto é interessante que se leve água e alimentos.

 

Elafonissi também possui limitações semelhantes, contudo não são rigorosamente observadas como em Balos. A praia conta com um número relativamente bom de restaurantes e tolera que se pratiquem esportes na orla.

 

Ademais das duas praias de águas diamantinas, Chania possui seus encantos. A área do porto histórico é composta de pequenas ruas com um intenso comércio onde se compram produtos típicos e se pode provar comida grega de boa qualidade a um preço razoável.

 

Área portuária de Chania | Foto por Vinícius Henrique Fontana

Área portuária de Chania | Foto por Vinícius Henrique Fontana

 

Uma recomendação é o Kouzina (ou Κουζίνα, rua Daskalojianni, 25). Funciona somente no almoço e o custo médio de uma boa refeição é de €10. Recomendo que se prove o “feta cheese” (queijo frito com mel), a salada grega e a berinjela recheada. Há outras especialidades que se pode pedir no balcão, principalmente peixes.

 

Dicas úteis

– Tente planejar bem a viagem. Os gregos são simpáticos, porém nem todos sabem falar inglês muito bem, sem falar que a escrita completamente diferente não ajuda. Informe-se sobre a variação de nomes, pois muitos locais são conhecidos por mais de uma definição;

 

– Leve sempre água. Creta pode ser muito quente e seca às vezes, especialmente entre os meses de junho e agosto;

 

– Caso alugue um carro, consiga um mapa ou um bom localizador. Caso erre uma estrada pode ser difícil fazer retornos, pois muitas vias costumam ser estreitas e, por assim dizer, sem saída;

 

– Não esqueça: nas praias não se pode levar guarda-sol e cadeiras. Portanto, reserve ao menos €6 para essa despesa;

 

– Chania possui uma vida noturna mais agitada (especialmente Agia Marina), contudo as outras cidades “morrem” após o anoitecer;

 

– Leve equipamento de mergulho (snorkel), especialmente para Elafonissi, caso goste de ver um pouco de vida marinha. Há diversas espécies de animais que ficam próximos às rochas;

 

– Muitas vezes os gregos são abertos à negociação, portanto é possível conseguir algumas barganhas.