Aventure-se pela Cordillera Blanca

Talvez o Peru ainda não seja a referência em turismo de aventuras que deveria.

 

Facilmente associado a Machu Picchu quando se fala em turismo, o país exibe forte potencial para os mais variados tipos de esportistas e visitantes. Desde o surf no Pacífico à magistral selva amazonense, até às trilhas na maior cordilheira tropical de montanhas do mundo. E é desta última que este artigo irá tratar: a Cordillera Blanca, parte dos Andes peruanos.

 

Distante 420km ao norte de Lima, em uma longa, mas razoavelmente confortável viagem de oito horas de ônibus, encontra-se Huaraz, cidade base para os trekkeiros e escaladores que têm a Cordillera Blanca como destino.

 

Altitudes dos pontos na Cordillera Blanca

Altitudes dos pontos na Quebrada Llaca, Cordillera Blanca

 

Huaraz oferece toda a estrutura básica necessária para a chegada e preparação de acesso às montanhas: bons hotéis, bons restaurantes e pubs, mercados e uma quantidade suficiente de agências com guias, cozinheiros e porteadores ansiosos por uma oportunidade de acompanhar expedições.

 

A cidade, que está localizada a 3.052m, já é um teste para os efeitos da altitude. Refeições leves, hidratação constante e chá de coca colaboram para o importante processo de aclimatação.

 

A vista partindo de Huaraz oferece, de um lado, a Cordillera Blanca, com seus vários picos envoltos em neve eterna que superam os 6 mil metros de altitude, contrastando com a Cordillera Negra na face oposta, sem neve ou geleiras, representando adequadamente o nome dado a ela.

 

A Cordillera Blanca tem 180 km de comprimento e apenas 20 km de largura, sendo que seu pico mais alto, Huascarán, alcança 6.768m, culminando no topo do ranking de maior montanha do Peru e quarta maior da América do Sul.

 

Huascarán, a 6768m de altitude

Huascarán, 6768m de altitude

 

A Cordillera também é casa daquela que é considerada a “montanha nevada mais bonita do mundo”, o Alpamayo (5.947m), e desde Huaraz partem várias opções de trekkings que permitem apreciar sua “pirâmide perfeita”.

 

Natureza singular é cenário constante ao ingressar nas rotas de trekking ou pedalada: lagos de cores hipnotizantes, montanhas com formações impactantes e um horizonte que encanta no silêncio, na profundidade e na beleza.

 

Dentre os lagos, pelas trilhas iniciais de aclimatação, rapidamente encontra-se o Llanganuco, com um gracioso azul turquesa, mas é a Laguna 69 que se destaca pelo encantamento e sutileza com que é abraçada por um penhasco nevado que permanentemente abastece-a com o degelo natural. É possível alcançá-la por uma caminhada de um dia de nível médio/alto, suficiente para testar o condicionamento e adaptação ao ar rarefeito, por estar a 4.620m. Também é possível chegar ao local de ônibus, mas o prejuízo pela ausência do contato direto e íntimo com a natureza local seria tremendo.

 

 

Lago Llanganuco

Llanganuco

 

Laguna 69

Laguna 69

 

Campo-base para escaladas mais convencionais como o Pisco (5.752m) ou Chopicalqui (6.354m), Cebolla Pampa, localizada a 3.900m de altitude oferece “pouso” para as barracas em terreno plano, verde e com delicado rio para complementar a bucólica paisagem.

 

Pisco

Pisco, 5.752m de altitude

 

Chopicalqui, a 6354m de altitude

Chopicalqui, 6354m de altitude

 

Cebolla Pampa 3900m

Cebolla Pampa, 3900m de altitude

 

Em termos de acessibilidade e custo, a Cordillera Blanca surge como uma interessante alternativa para quem sonha em ultrapassar a barreira dos 6 mil metros de altitude e ter contato com grandes montanhas ou cordilheiras majestosas, frente a distância e valores para alcançar os Alpes Europeus ou o suntuoso Himalaia. As escaladas têm grande variação de nível técnico, sendo que alguns cumes podem ser atingidos por meio de caminhadas, sem necessidade de grandes conhecimentos ou equipamentos de montanha.

Sugestões:

 

Leitura de “Classic Clims of the Cordillera Blanca” de Brad Johnson, que traz detalhes e croquis de vias das montanhas, com riqueza de informações e fotos.

 

O documentário “Tocando o Vazio”, de Joe Simpson, sobre acidente sofrido pelo autor no Siula Grande, montanha dos Andes peruanos. Apesar da tensão da história, traz uma boa demonstração dos encantos deste lugar único.