9 curiosidades sobre Olinda

Igreja da Sé | Foto: Elvis Boaventura, via Creative Commons

 

Por José Jayme

 

Toda cidade tem suas histórias, segredos, folclores e lendas. E, em se tratando de Olinda, isso só tende a se potencializar. Patrimônio Histórico e Cultural pela Unesco, Olinda é uma cidade que respira hábitos próprios, não só no Carnaval, mas em todos os outros dias do ano.

 

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Tanta vivacidade está presente que seu nome já virou até verbo. “Olindar” é palavra fácil para aqueles que querem curtir seus casarões históricos, caminhar pelas suas ladeiras, comer uma tapioca no Alto da Sé ou bebericar uma cerveja em um dos vários bares e botecos do sitio histórico.

 

Centro de Olinda | Foto: Chivunck, via Creative Commons

 

E para traduzir um pouco dessa magia, listamos aqui nove curiosidades que você provavelmente não sabia sobre Olinda.

 

Existe um cometa chamado Olinda

 

Para quem já leu o artigo semelhante a respeito de Recife (clique aqui para ler) sabe que o pernambucano é megalomaníaco por natureza. E alguns fatores apenas contribuem para tal, como é o caso do Cometa Olinda, o primeiro cometa a ser observado na América Latina.

 

Observatório Astronômico do Alto da Sé | Foto: Prefeitura de Olinda, via Creative Commons

 

O cometa foi identificado em 1860 pelo astrônomo francês Emmanuel Liais no Observatório Meteorológico de Olinda localizado no Alto da Sé, que não se encontra mais em funcionamento. Até hoje é o único cometa descoberto no Brasil.

 

Aqui foi dado o primeiro grito de Independência da nação

 

Esqueça Tiradentes! Antes do movimento inconfidente de Minas Gerais, o sargento-mor Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em prol da independência nacional no Senado da Câmara de Olinda no dia 10 de novembro de 1710, quase 80 anos antes dos mineiros.

 

Placa existente nas Ruínas do Senado | Foto: Chico Atanásio (Prefeitura de Olinda), via Creative Commons

 

Seu nome não veio da expressão “Oh Linda cidade”

 

Talvez essa venha como uma facada no peito dos que sempre contavam essa história para os amigos de viagem. Um mito popular diz que o nome “Olinda” teria a sua origem numa suposta exclamação do fidalgo português Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco – “Oh, linda situação para se construir uma vila!”.

 

Olinda e, ao fundo, Recife | Foto: Elvis Boaventura, via Creative Commons

 

O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, porém, considerava “ridícula” essa etimologia, preferindo a hipótese de uma referência a alguma localidade de Portugal (como Linda-a-Velha ou Linda-a-Pastora), ou a Olinda, personagem feminina do romance de cavalaria Amadis de Gaula, romance este muito lido na época da fundação da cidade.

 

Mas a cidade é linda mesmo assim! | Foto: Chico Atanásio (Prefeitura de Olinda), via Creative Commons

 

O Homem da Meia-noite não é um boneco

 

Essa revelação talvez tenha sido bombástica demais, mas é verdade! O “boneco” do Homem da Meia-noite, agremiação carnavalesca que sai a meia-noite do sábado de Carnaval, não é considerado um boneco e sim um calunga, ou seja, uma entidade mística do candomblé. Isso porque sua importância transcende o simples fato de ser um boneco. O Homem da Meia-noite traz encanto e paixão por onde passa e cria uma verdadeira devoção por todos que o seguem.

 

Bloco Homem da Meia-noite | Foto: Antônio Cruz / ABr, via Creative Commons

 

Provavelmente você nunca viu o Homem da Meia Noite

 

Símbolo maior da cidade, talvez você tenha visto o calunga em algum evento diurno ou em outra data que não tenha sido a da saída do bloco. Pois fique sabendo que aquele é um sósia e não o próprio Homem da Meia Noite. O boneco original fica confinado o ano inteiro e só sai a meia noite do sábado, conforme o roteiro de seu bloco. Sim, já houve situações em que o calunga cancelou sua hibernação, como na morte do presidente do clube e no velório de seu alfaiate, mas são momentos excepcionais.

 

O boneco do bloco | Foto: Passarinho (Prefeitura de Olinda), via Creative Commons

 

Olinda, Capital de Pernambuco

 

Com a implementação das capitanias hereditárias, Olinda ganhou o posto de sede de Pernambuco. Além do mais, a cidade foi ponto de partida tanto para o povoamento do interior do estado como para a ocupação de outros estados como Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. Mas tudo isso mudou após a chegada dos holandeses e o crescimento de Recife, para onde o governo do território foi transferido em 1837 e assim, Recife se torna a capital.

 

Baía de Olinda | Foto: The Photographer, via Creative Commons

 

A primeira faculdade de Direito do Brasil surgiu em Olinda

 

Fundada em 11 de agosto de 1827, a Faculdade de Direito de Olinda foi a primeira do gênero no Brasil. Todavia, há simultaneidade de criação de duas históricas instituições, porque a de São Paulo também foi criada em 1827.

 

A FOCCA (Faculdade de Olinda) | Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior, via Creative Commons

 

Entretanto, reconhece-se que ambas faculdades, a de Olinda e a do Largo de São Francisco (São Paulo) são as mais antigas. Não é à toa que se comemora o Dia do Advogado, na data de fundação da instituição. Mais tarde, em 1854, a faculdade passou para a capital, Recife.

 

O “único lugar onde uma filial do McDonald’s faliu”

 

Olinda tem a fama de ser um lugar com um acentuado destaque intelectual. Não é à toa que artistas, escritores, pintores e escultores adotaram a cidade como moradia. A quase uma década, o McDonald’s abriu uma filial na cidade, mas teve que fechar suas portas devido à fraca receptividade. Esse fato foi traduzido pelo imaginário popular como uma rejeição dos cidadãos olindenses a um símbolo máximo do capitalismo. Se é verdade ou não, muita gente tem orgulho disso. E chegam a dizer que aqui foi o único lugar que fechou uma loja do gênero.

 

Uma caixa d’água descartada por Oscar Niemeyer

 

O centro histórico da cidade já foi abastecido por uma caixa d’água, que hoje serve de mirante, localizada no Alto da Sé. A obra em questão teve a assinatura do engenheiro Joaquim Cardoso, o mesmo que assinou vários projetos de Oscar Niemeyer (incluindo boa parte de Brasília) e, por isso, surgiu uma lenda de que o projeto da caixa d’água foi um rabisco descartado pelo arquiteto e que foi aproveitado pelo engenheiro.

 

Mirante da Caixa d’Água de Olinda | Foto: Prefeitura de Olinda

 

Coincidência ou não no gancho da história, do mirante da caixa d’água dá para ver a torre de transmissão da extinta TV Manchete, primeira obra de Oscar Niemeyer em Pernambuco.