8 dicas para fazer amizades ao viajar

Por Michelle Torres

 

Impossível contar nos dedos as pessoas que eu conheço que querem viajar, não encontram parceria e acabam não indo por medo de um milhão de coisas, mas principalmente da solidão. Baseada na minha experiência, eu fiz esta lista com 8 dicas de como fazer amizades ao viajar sozinho, garantindo que você esteja sempre rodeado de pessoas incríveis. Então aqui vai…

 

1. Comece mudando sua atitude

"Transpassar essa linha com um sorriso" | Foto María Durán (CC BY-NC-SA 2.0)

“Transpassar essa linha com um sorriso” | Foto María Durán (CC BY-NC-SA 2.0)

 

Respirar fundo, abrir sua mente e sorrir sempre ainda é a melhor forma de atrair as pessoas para perto de você. Além disso, não crie expectativa, esse não é só o meu maior desafio, mas também o meu melhor conselho. Esvazie o seu coração e let it go, diversão garantida se você conseguir fazer isso.

 

2. Escolha o seu destino sabiamente

Começar a viajar por países onde você domina a língua é uma boa ideia

Começar a viajar por países onde você domina a língua é uma boa ideia

 

Comece por um país que fale uma língua na qual você pode se comunicar. Conheço um monte de brasileiros que iniciam suas aventuras indo para Portugal, ou, então, para algum dos países que falam espanhol, mais fácil de entender e de improvisar. Isso vai te fazer se sentir seguro e confortável e vai te dar coragem para novos desafios nas próximas aventuras.

 

A propósito, não perca mais tempo e se matricule num cursinho de inglês (ou espanhol, francês, ou qualquer idioma que você goste), mas não se prenda ao fato de não ter um domínio perfeito da língua, os gringos valorizam mais sua simpatia, bom humor e esforço em se comunicar do que o uso correto do idioma.

 

Pesquise antes de ir, porque você não vai querer ir para um lugar que esteja no meio de uma guerra civil porque muito provavelmente você vai ficar sozinho turistando por lá. Por outro lado, se você escolher os destinos mais procurados pelos mochileiros, como a Europa (eu começaria por lá por vários motivos), Austrália, América do Sul e Central, e alguns países do Sudeste da Ásia, você estará aumentando suas chances de sucesso. Vai por mim, há um monte de gente em sua jornada Walkabout* pelo mundo afora, disposto a fazer amigos ou a pelo menos compartilhar uma conversa agradável.

 

*Walkabout: É uma tradição dos aborígenes australianos, em que adolescentes caminham em busca da masculinidade (boys only). O objetivo é buscar cura e amadurecimento enquanto vagueiam sozinhos pelo do Outback australiano (deserto).

 

3. Procure o melhor lugar pra ficar

Recepção do St. Christopher's Village, hostel em Londres | Foto Divulgação

Recepção do St. Christopher’s Village, hostel em Londres | Foto Divulgação

 

Prefira hostels ou couchsurfing. Eis um tema que poderíamos falar muito mais sobre, mas aqui vai uma prévia de cada um: em hostels você pode fazer um monte de amigos que queiram explorar o lugar com você, e com o couchsurfing você pode ter atenção exclusiva de alguém local, ou pelo menos desfrutar de milhares de dicas dos melhores restaurantes, bares e pubs. Para a primeira opção, sugiro procurar em sites como HostelWorld e Hostels e, para a segunda, no site Couchsurfing.

 

4. Converse com as pessoas em todas as situações

Bar bastante agitado no Copenhagen Downtown Hostel, na Dinamarca | Foto Divulgação

Bar bastante agitado no Copenhagen Downtown Hostel, na Dinamarca | Foto Divulgação

 

Eu sei, pode parecer um pouco difícil no começo, eu também sou tímida, mas logo se torna super natural. Inicie uma conversa perguntando de onde as pessoas são, pergunte sobre dicas do que fazer, compartilhe seus planos e convide as pessoas para acompanhá-lo, sugira dividir o aluguel de um carro para ir naquele lugar super especial que o transporte público não vai te levar…

 

Peça a alguém para tirar uma foto de você ou veja se a pessoa precisa de ajuda com isso também. Fale com o garçom, o motorista do ônibus, a tripulação do barco. Faça perguntas aleatórias sobre o tempo para a pessoa sentada ao seu lado no ônibus, trem, voo ou bar. Sério, funciona muito. Conheci uma garota francesa em um ônibus, na Croácia, que se tornou não só minha companheira de viagem por uns dias, mas também me ofereceu um lugar incrível para ficar em Roma, na mesma viagem.

 

5. Socialize nas refeições

Comida une as pessoas! Ilhas Whitsunday, na Austrália | Foto Michelle Torres

Comida une as pessoas! Ilhas Whitsunday, na Austrália | Foto Michelle Torres

 

Existem alguns sites e aplicativos que permitem que você compartilhe uma refeição tradicional com “gente como a gente” em diferentes cidades deste abençoado planeta. Você pode agendar um almoço ou jantar caseiro, e o valor da refeição pode variar bastante, dependendo do que será servido. Confira as possibilidades em sites como VizEat, EatWith e EatAway.

 

Pessoalmente não tive o prazer de tal experiência, mas tenho certeza de que é uma ótima forma de interagir com pessoas interessantes e conhecer melhor a cultura e a comida local. Outra forma de interagir durante suas refeições é buscar restaurantes com mesas comunitárias ou degustar bebidas e comidinhas de boteco no bar.

 

6. Procure por atividades em grupo

Trilha na Córsega | Foto Michelle Torres

Trilha na Córsega, França | Foto Michelle Torres

 

Pesquise se a cidade para a qual você está indo tem iniciativas como free walking tours, afinal, o tipo de viajante que você vai encontrar em qualquer atividade gratuita será, normalmente, outro mochileiro em busca de amigos.

 

Busque atividades que você ama ou que sempre quis fazer, assim você aumenta as chances de encontrar pessoas com interesses em comum, o que ajuda a iniciar o papo e a conhecer parceiros em potencial para o resto da sua viagem. As opções são infinitas: trilhas, canoagem, escalada, visita a museus, shows…

 

Saiba mais: Por que você deve ir à Córsega

 

Uma boa ideia é sempre participar de pub crawls, uma espécie de “walking tour” que passa por diferentes bares na mesma noite. Nas principais cidades da Europa é muito fácil integrar um grupo como esse, tanto que muitos hostels oferecem algo nessa proposta. Eu não consigo pensar em jeito melhor de colocar sua timidez de lado do que após alguns drinks.

 

7. Faça passeios longos em grupo

Passeio de barco em Bacalar, no México | Foto Michelle Torres

Passeio de barco em Bacalar, no México | Foto Michelle Torres

 

Reserve previamente trilhas, viagens de barco ou qualquer outro tipo de passeio que dure alguns dias. Independentemente do tipo de atividade, certamente existe um grupo de pessoas fazendo algo que você gosta. Procure escolher os que são compatíveis com a sua idade (ou idade mental, se como eu você gosta de uma boa festa no alto dos seus 30 e poucos anos), porque é muito mais fácil fazer amigos quando você tem coisas em comum. O bom destes passeios é que você não precisa fazer muitos planos, vai se sentir seguro, e manterá sua paz de espírito por alguns dias. Nem todos são muito caros, dê uma pesquisada antes.

 

8. Evite fazer muitos planos

Fazer planos iniciais é necessário, mas ter | Foto Roberto Borello (CC BY-NC 2.0)

Planejamento inicial é necessário, mas ter dias livres pode ser interessante | Foto Roberto Borello (CC BY-NC 2.0)

 

Se você conseguir viver com essa realidade, para alguns assustadora, tente não fazer muitos planos além de comprar suas passagens aéreas e de reservar sua estadia para as primeiras noites. Obviamente, tudo depende do seu destino, da temporada (alta ou baixa), e se você precisa de um carro ou não.

 

Por exemplo, você provavelmente vai querer ter reservado um lugar pra ficar no Caribe na noite de Ano Novo. Confesso que eu não tinha reserva quando fui passar o Réveillon por aquelas bandas e tudo deu certo e, se não tivesse dado, eu pessoalmente não teria tido muito problema porque eu pretendia festejar a noite toda de qualquer maneira, ou seja, tudo depende de como você encara a situação.

 

Acredite, eu sei que parece loucura, mas sempre faço muitos planos e acabo me arrependendo, porque na maioria das vezes não posso ficar um pouco mais em um lugar incrível, com pessoas com as quais me identifiquei. Ou seja, não ter planos garante flexibilidade e liberdade, mas não funciona para todo mundo.

 

Enfim, lembre-se, estas são apenas dicas para tornar mais fácil sua primeira aventura “sozinho”. Mas não existe receita, você vai ter que escrever a sua própria. Depois de vencer seu medo, deixar sua zona de conforto para trás e colocar os pés lá fora, não tem volta, você vai querer mais. Sempre começamos desajeitados, como em tudo, mas logo a vida vai recompensar a sua coragem de correr riscos com liberdade e felicidade. Mais do que isso, você pode até encontrar seu verdadeiro eu no caminho. Boa sorte, divirta-se e me conte como foi a sua experiência.