66 histórias de uma volta ao mundo: Europa

A criatividade de Gaudí em Barcelona

 

Por Nara Alves

 

18º país: Itália

 

Pegamos um voo de Tel Aviv até Roma, na Itália. Na capital italiana, fizemos praticamente tudo a pé. De uma cidade a outra, usamos trem. Fomos a Lucca, Pisa, Florença, Veneza e Milão. Em vez de albergues, usamos muito o AirBnB na hospedagem. De Milão, pegamos um voo para Berlim. 

 

Guardas do Vaticano

 

Dica de viagem

 

Reproduzo aqui uma dica que nós mesmos não colocamos em prática. Em Roma, acorde de madrugada e seja o primeiro a chegar nos pontos turísticos. Além de evitar filas, é a única oportunidade de caminhar pela cidade sem trombar com centenas de pessoas. Diz a lenda que, na madrugada, as ruas de Roma ficam ainda mais cor de laranja.

 

Raio-X

 

Tempo no país: 22 dias
Locais visitados: Roma, Lucca, Pisa, Florença, Veneza, Florença e Milão
Visto necessário: não
Transporte aéreo: 151.73 euros
Transporte terrestre longa distância e local: 124 euros
Hospedagem: 438,50 euros
Alimentação: 273 euros
Lazer: 165 euros
Total por dia por pessoa sem passagem aérea: 22,73 euros

 

Trecho do livro “66 histórias de uma volta ao mundo”

 

“Lucca, assim como diversas outras cidades da região da Toscana, é bem cheia de turistas. Atrás deles estão os vendedores de bugigangas de primeira e de nenhuma necessidade, como guarda-chuvas e paus de selfie. Os vendedores são, na sua grande maioria, imigrantes. E muitos são refugiados. Quando penso neles, nos refugiados, a noção do que é fácil e do que é difícil ganha outra dimensão.

 

A questão dos refugiados é uma crise humanitária muito foda. É o maior drama do mundo. E isso ficou evidente para mim ao chegamos na Europa, alguns dias atrás. São milhões de homens, mulheres, velhos e crianças fugindo das guerras na Síria, no Iraque, de todo o Oriente Médio, dos conflitos no Leste Europeu, ou do norte da África, sobrevivendo ao Talibã e ao Estado Islâmico – que pouco a pouco avança e destrói monumentos e sítios arqueológicos pelos quais eu e Bernardo acabamos de passar. É uma tragédia”.

 

País anterior: Israel

 

19º país: Alemanha

 

Fazendo palhaçada (pra variar!) em frente ao Palácio do Reichstag, em Berlin

 

Na Alemanha, decidimos não sair de Berlim, porque Berlim é a cidade mais legal do mundo. Para circular pela capital, ter uma bicicleta é primordial. Também é bom ter um cartão do metrô para não precisar comprar tíquetes a todo momento. Verifique qual vagão aceita bicicleta e sempre valide seu tíquete antes de entrar. 

 

Dica de viagem

 

Assim como existe o Couchsurfing, que oferece estadia gratuita nas casas das pessoas em todo o mundo, existe o Bikesurf, que oferece empréstimo de bicicletas gratuitamente. A ideia nasceu em Berlim e funciona muito bem. Basta se cadastrar no site (www.bikesurf.org), escolher o tipo de bicicleta e o local onde quer retirá-la. Depois, os organizadores pedem uma doação sem valor pré-determinado.

 

Raio-X

 

Tempo no país: 14 dias
Local visitado: Berlim
Visto necessário? Não
Transporte aéreo: 47.6 euros
Transporte local: 49 euros
Hospedagem: 0
Alimentação: 112 euros
Lazer: 28 euros
Total por dia por pessoa sem passagem aérea e hospedagem: 13,5 euros 

 

Trecho do livro “66 histórias de uma volta ao mundo”

 

“Berlim é minha cidade preferida do mundo. Vim pela primeira vez em 2007, no inverno, e pedalei bem feliz com a bunda congelada por toda a cidade. Depois, em 2012, voltei a trabalho, no verão, para produzir uma reportagem sobre como Berlim vai salvar o planeta. Agora, insisti com o Bernardo para que ficássemos pelo menos algumas semanas, só em Berlim. Sem correria. Vamos aproveitar a primavera para tomar um solzinho nos parques da cidade.

 

Esta terceira passagem por Berlim é especial. Dessa vez, conheci a Luisa, o bebê mais fofo já nascido em Berlim. Por pouco, ela não é africana. Luisa é filha da minha melhor amiga da faculdade, a Carol. Antes de se mudar para a Europa e se casar com o Torsten, um alemão, a Carol morava na África, em Moçambique, fazendo trabalhos voluntários e dando aulas”.

 

20º país: Holanda

 

A ideia era ir de trem de Berlim até Amsterdã. Mas havia uma greve de funcionários da linha férrea e, no meio do caminho, tivemos de descer do trem e seguir a viagem de ônibus. Em Amsterdã, fizemos os passeios mais curtos a pé. Os mais longos fizemos de trem ou de Uber. Da capital, fomos a Delft e, de lá, a Roterdã, de onde pegamos um voo para Barcelona.

 

Prefeitura (city hall) de Delf

 

Dica de viagem

 

Experimente tudo. Seja feliz.

 

Raio-X

 

Tempo no país: 7 dias
Locais visitados: Amsterdã, Haia, Leiden e Delft
Visto necessário? Não
Transporte de trem internacional: 59 euros
Transporte terrestre longa distância e local: 77,50 euros
Hospedagem: 0 euros
Alimentação: 95,20 euros
Lazer: 38,2 euros
Total por dia por pessoa sem trem internacional e sem hospedagem: 15,06 euros

 

Trecho do livro “66 histórias de uma volta ao mundo”

 

“Chegamos a Amsterdã com um certo atraso. Não deu tempo de pegar a floração das famosas tulipas holandesas. Erramos no calendário por algumas semanas. Paciência. Fica para uma próxima. A cidade é linda mesmo sem as flores. Estamos hospedados na casa do meu amigo Afnán Agramont, um engenheiro boliviano que conheci durante a produção de uma reportagem sobre o Rio Madeira – que nasce na parte boliviana da Cordilheira dos Andes.

 

Afnán está morando na Holanda para fazer um mestrado em gestão de água num programa ligado às Nações Unidas. Ele também faz parte da organização Engenheiros Sem Fronteiras e ajuda comunidades andinas a lidar com a escassez de água e com a falta de saneamento básico nas vilas onde vivem os povos das montanhas bolivianas”.

 

21º país: Espanha

 

Voamos de Rotterdam para Barcelona, capital da Espanha. Rodamos Barcelona de metrô e a pé. Em Madri, alugamos um carro para percorrer Valência, Madri, Cáceres, Córdoba e Sevilha. O carro é mais cômodo, claro. Mas ficou muito mais caro do que imaginávamos que ficaria por conta dos pedágios super caros e do preço da gasolina. Além disso, nem sempre se acha vaga na rua e os preços dos estacionamentos nas áreas turísticas são bem salgados. Em Sevilha, devolvemos o carro e pegamos um ônibus até Portugal, já que não existe uma linha direta de trem que faça esse trajeto.

 

O Palácio Real de Madri

 

Dica de viagem

 

Evite ir para o sul da Espanha no verão. A menos que você goste da sensação de estar derretendo vivo.

 

Raio-X

 

Tempo no país: 12 dias
Visto necessário: não
Locais visitados: Barcelona, Valência, Madri, Cáceres, Córdoba e Sevilha
Transporte aéreo: 63,74 euros
Transporte terrestre longa distância e local: 264 euros
Hospedagem: 0
Alimentação: 155 euros
Lazer: 87 euros
Total por dia por pessoa sem passagem aérea e hospedagem: 21,08 euros

 

Trecho do livro “66 histórias de uma volta ao mundo”

 

“Fomos, então, conferir a praia. Escolhemos a praia mais próxima ao Porto Olímpico, que está lá desde 1992, quando a cidade foi sede dos Jogos Olímpicos – e passou a cuidar bem de suas praias. Deu até uma esperança de imaginar a Baía de Guanabara limpa para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro…

 

Tomando um solzinho, toda vestida, Rosane percebeu, olhando de rabicho, que estava rodeada por mulheres fazendo topless. Aquela cena era inédita e surpreendente, mas minha sogra, criada praticamente dentro de uma igreja, não ficou chocada, muito menos escandalizada, como eu imaginei que fosse ficar. “Elas não estão nem aí, né?”, perguntou baixinho. “Não, mesmo”, respondi. “Que coisa, menina! Aqui isso é normal. Bacana…”, disse ela, sorrindo. Seria o máximo se a sogrinha aderisse ao topless! Fiquei sem jeito de sugerir. E sem jeito de tirar o biquíni na frente dela. Ficamos as duas lá com Bernardo, só observando, numa estranheza coletiva boa de sentir”.

 

22º país: Portugal

 

Chegamos na estação rodoviária de Lisboa no meio da madrugada e fomos a pé até nosso albergue, que ficava próximo da estação, na parte mais moderna da cidade. De lá, circulamos de ônibus e trem, fazendo pequenas viagens de um dia e sempre voltando a Lisboa. Se pudesse escolher outro local, não ficaria no centro novo da cidade. Melhor seria um local no centro histórico, onde está todo o agito cultural.

 

A incrível Porto, no norte de Portugal

 

Dica de viagem

 

Não leve mala de rodinha. As calçadas portuguesas, com aquelas pedras brancas e pretas, iguais as de Copacabana, estão por toda parte, inclusive no chão de locais onde as pessoas circulam com malas, como na rodoviária. 

 

Raio-X

 

Tempo no país: 7 dias
Locais visitados: Lisboa, Cascais e Porto
Visto necessário: não
Transporte de ônibus internacional: 34 euros
Transporte terrestre longa distância e local: 52 euros
Hospedagem: 0
Alimentação: 85 euros
Lazer: 38 euros
Total por dia por pessoa sem ônibus internacional e hospedagem: 14,90 euros

 

Trecho do livro “66 histórias de uma volta ao mundo”

 

“A mãe do Bernardo, Rosane, estreou sua sexta década de vida fazendo nada menos do que seu primeiro mochilão pela Europa. Ela nos aguentou durante um mês, pingando de cidade em cidade pela Alemanha, Holanda, Espanha e Portugal, num ritmo alucinado de dois dias em cada cidade. Dormiu e beliche de quarto coletivo no albergue da juventude, comeu no bandejão do refeitório, varou toda a madrugada num busão. Em cada novo lugar, caminhou uns 10 ou 15 quilômetros, sob um sol de até 40 graus, parando só para comer.

 

Porém o teste final da sogrinha foi aqui em Portugal. Depois de passar a noite em claro no ônibus que nos levou de Sevilha, na Espanha, até Lisboa, descemos na semana passada na rodoviária Oriente, na capital portuguesa, onde o chão é todo feito de pedras de calcário, brancas e pretas, as mais tradicionais do país”.

 

 


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Quem largaria um belo emprego na TV para sair pelo mundo experimentando as mais diversas culturas? Nara Alves. Acompanhada de seu namorado, Bernardo, entre 2014 e 2015 a moça se aventurou por 22 países da América do Norte, da Ásia, da Oceania, do Oriente Médio e da Europa.

 

Saiba mais: 66 histórias de uma volta ao mundo